Prejuízos perto dos 800 milhões de euros. Plano de recuperação de Leiria vai até finais de 2029

Prejuízos perto dos 800 milhões de euros. Plano de recuperação de Leiria vai até finais de 2029

O Plano Municipal de Recuperação de Leiria na sequência da depressão Kristin vai até ao fim do mandato autárquico, segundo o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes. A autarquia estima que os prejuízos provocados pela tempestade Kristin à data de hoje ascendem a 792,8 milhões de euros.

Mariana Ribeiro Soares - RTP /
Lusa

Em conferência de imprensa nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde está instalado o centro de operações municipal, Gonçalo Lopes explicou que a fase 1, designada de humanitária, emergência e operacional, tem a duração de quatro meses, até maio.

"São quatro meses para repor as questões operacionais", declarou.

Segue-se a fase de recuperação e resiliência a partir de junho e com duração de um ano, "uma operação muito exigente", que passa por garantir segurança nos equipamentos.

"No fundo, é tentar aproximar" à situação prévia à depressão Kristin, que provocou avultados danos no concelho em 28 de janeiro, esclareceu.
Telejornal | 18 de fevereiro de 2026

Por fim, a fase 3, intitulada modernização estruturante, corresponde ao resto do mandato, que termina no final de 2029. O presidente da Câmara de Leiria explica que esta fase "exige mais tempo" uma vez que se trata de construção nova.

"Temos alguns casos onde temos de fazer de raiz coisas e que não vamos conseguir fazer num ano", declarou o autarca, explicando que neste trabalho de modernização estruturante o município precisa de, "urgentemente, definir quais os envelopes financeiros".
Prejuízos superiores a 792,8 milhões de euros
A autarquia de Leiria estima que os prejuízos provocados pela tempestade Kristin à data de hoje ascendem a 792,8 milhões de euros, sem contabilizar os custos com infraestruturas municipais e do Estado e na floresta.

"Dentro daquilo que conseguimos apurar, o que já gastámos, mais a primeira estimativa por baixo, temos um valor de 792,8 milhões de euros. Ainda falta outro tanto", disse o presidente da Câmara. 

O autarca acrescentou que as empresas sofreram danos superiores a 200 milhões de euros, estimando-se uma quebra de atividade económica na ordem dos 70,7 milhões de euros.

Gonçalo Lopes garantiu que a autarquia "tem capacidade financeira, felizmente, para acudir à fase 1" do plano de recuperação, com custos agora na ordem dos 13,3 milhões de euros. Esse valor diz respeito a trabalhos de limpeza e recuperação, com a Câmara a esperar que possa ser coberta por seguros e medidas de apoio.Já para as fases 2 e 3, Gonçalo Lopes admitiu que a Câmara pode "contrair empréstimos", mas a capital de distrito precisa de ajuda para se reerguer.

"No dia 28 de janeiro, fomos eleitos obrigatoriamente para uma nova Câmara e para um novo programa eleitoral", declarou, observando que "muita parte" do programa "já não faz sentido".
"Situação complexa"
Paulo Fernandes, coordenador da Estrutura de Missão de Leiria, fala num “impacto económico brutal” e numa “situação complexa”.

Em entrevista à RTP, questionado sobre quanto tempo vai levar a recuperar tudo, Paulo Fernandes respondeu que no caso das intervenções mais leves em habitações, num espaço de um ano devem estar em condições de estar terminadas”.

“Nas empresas, a resposta é mais urgente”, acrescentou, estimando seis a nove meses para as empresas reporem atividade.

A Estrutura de Missão para a Recuperação das Zonas Afetadas revelou que há cerca de 164 mil empresas afetadas pelos estragos do mau tempo, 55 mil só na região de Leiria.

“Cerca de 20 mil empresas ativaram apólices, o que é quase 50% das empresas da região”, disse Paulo Fernandes.
"Têm de ser analisadas com muita profundidade"
Em relação à rede elétrica, Gonçalo Lopes defendeu quem, em conjunto com a Proteção Civil, “têm de ser analisadas com muita profundidade”.

Para o autarca, "se o país não acorda para estas duas realidades, é porque anda a dormir".

"A Proteção Civil tem de ser alterada para um novo contexto nacional e europeu. Estamos num ambiente de guerra, temos fenómenos ambientais totalmente diferentes e temos de ter uma capacidade de resposta diferente", acrescentou, salientando que tem de se ver "desde o primeiro minuto até ao fim da calamidade, pelo menos este período", onde é que se falhou, "quem é que tem voz de comando, quem é que aciona os meios e quem os gere".

"Não nos importamos de gerir os meios municipais, temos capacidade de o fazer, mas há outros municípios que não têm a nossa capacidade e tem de se olhar por eles. E se calhar podíamos ter feito muito mais, admito, e se calhar algumas coisas também nós errámos", reconheceu.

Defendendo que o município deve criar uma resiliência para este tipo de problemas, o presidente da Câmara considera que deve existir um plano B que passe, por exemplo, por investir em equipamentos como geradores.

Segundo Gonçalo Lopes, ainda há quatro mil clientes sem eletricidade no concelho. No total, três semanas após a passagem da tempestade Kristin, continuam sem energia 7600 clientes da E-Redes.

c/ Lusa
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