Prémio Pulido Valente 2005 atribuído a investigadora Íris Caramacho

A investigadora Íris Caramacho, 32 anos, recebeu o Prémio Pulido Valente Ciência 2005, por um estudo que demonstrou a possibilidade de estimular e tornar mais eficientes células cuja missão principal é prevenir doenças como a diabetes.

Agência LUSA /

No final da cerimónia, presidida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Mariano Gago, a autora principal do trabalho explicou que se trata ainda de "investigação de base", não podendo ser usado em clínica o mesmo composto (LPS) testado numa população de ratinhos por ser "altamente inflamatório".

Em declarações aos jornalistas, Íris Caramacho reconheceu que não seria ético usar em humanos o mesmo composto (apesar de os ratinhos estarem bem) e que o grande desafio dos investigadores é agora encontrar uma fórmula, o que pode levar anos, para reagir da mesma maneira nas designadas células reguladoras T, cuja missão principal é prevenir doenças auto-imunes, como a diabetes.

A investigação demonstrou que as células T reguladoras expandem em resposta a um componente de bactérias, o que prova que algumas infecções podem ser protectoras.

O trabalho de investigação, frisou, vai no sentido da prevenção da doença e não do tratamento de pessoas que já tenham diabetes, uma patologia que, em Portugal, afectará cerca 500.000 pessoas, segundo estimativas.

Irís Caramacho, já vencedora do Prémio Pfizer de Investigação 2004, foi a autora principal de um estudo desenvolvido por um grupo de cientistas do Instituto Gulbenkian de Ciência, coordenado por Jocelyne Demengeot, que pela primeira vez demonstrou a possibilidade de estimular e tornar mais eficientes estas células do sistema imunitário.

O estudo foi publicado no Journal of Experimental Medicine, da Universidade Rockefeller, em Nova Iorque.

Este prémio, aberto de 15 de Maio a 30 de Setembro do ano passado, recebeu seis candidaturas, sendo o júri presidido pelo professor Caetano Reis e Sousa e composto pelos professores Rui Victorino, Rui Appelberg, João Lobo Antunes e João Monjardino.

O júri deliberou ainda atribuir uma Menção Honrosa a Sérgio Alexandre Fernandes de Almeida, 26 anos, do Instituto de Biologia Molecular e Celular, pelo trabalho "HFE cross-talks with the MHC class antigen presentation pathway".

Em declarações à agência Lusa, o jovem investigador afirmou tratar-se da descrição do mecanismo molecular que "suporta a existência de anomalias do sistema imunológico em doentes com hemoromatose hereditária", uma doença genética caracterizada por uma disfunção no metabolismo do ferro, "muito comum em Portugal".

O Prémio Pulido Valente Ciência foi criado em 2002 conjuntamente pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Fundação Professor Francisco Pulido Valente para distinguir o melhor trabalho publicado numa área das ciências biomédicas que descreva investigação executada por um investigador, com menos de 35 anos, num laboratório nacional.

O prémio tem um valor pecuniário de 10.000 euros, comparticipado em partes iguais pelas duas fundações.

O presidente da Fundação Professor Francisco Pulido Valente, João Monjardino, salientou que hoje Portugal tem jovens que produzem investigação de nível internacional e que o prémio hoje atribuído deve ser também um estímulo para outros.


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