Presidente da CEP pede "convergências de regime" para combater a crise

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) alertou esta tarde para a "grave crise socioeconómica" e pediu "convergências de regime com base nos partidos e com consistência parlamentar", que permitam mitigar os efeitos da inflação e combater a pobreza.

Antena 1 /

Paulo Cunha - Lusa

Na abertura da Assembleia Plenária de novembro da CEP, José Ornelas lembrou que, "como consequência ainda da pandemia e sobretudo da guerra, que grassa na Europa (...), o mundo enfrenta" uma "grave crise socioeconómica".

"Entre os mais prejudicados estão, como sempre, os mais vulneráveis: as famílias pobres e de baixos rendimentos, os jovens à busca de emprego, os idosos e agora as famílias de classe média, com grandes taxas de esforço para honrar os compromissos com a habitação e a educação dos filhos, os pequenos e médios empresários, que dão emprego a muita gente através dos seus empreendimentos, que veem deteriorar-se a sua vida e o seu contributo para a sociedade, pelo agravamento das taxas de juro e o aumento galopante da inflação", disse o também bispo de Leiria-Fátima, José Ornelas.

Para o prelado, "as políticas até agora definidas na Europa e em Portugal, podem diminuir algumas consequências, mas ao arrastarem-se no tempo não vão resolver os maiores problemas".

"As medidas paliativas de emergência tomadas pelo Governo português são importantes para responder ao apoio de emergência, mas é imprescindível realizar convergências de regime com base nos partidos e com consistência parlamentar, a fim de concretizar políticas estruturais, de médio e longo prazo, que permitam mitigar os efeitos da inflação e incentivar o crescimento, tendo como preocupação o combate à pobreza, a diminuição das desigualdades sociais e o bem-estar dos cidadãos, com uma mais justa repartição da riqueza", exortou José Ornelas.

O bispo chamou também a atenção para a situação de dificuldade em que se encontram muitas instituições particulares de solidariedade social, face ao aumento dos custos.

"Também nas instituições de solidariedade social, muitas das quais ligadas à Igreja Católica, a crise acentua-se, colocando em risco a sustentabilidade destas. A justa e imperiosa necessidade de aumentar os ordenados dos trabalhadores destas instituições para fazer face à inflação e aos baixos salários que já recebem, confronta-se com a situação financeira aflitiva em que estas instituições já se encontravam, particularmente devido à pandemia", disse o presidente da CEP perante o plenário do episcopado católico português.
Segundo José Ornelas, "impõe-se uma atenção especial, por parte do Estado, que sustenta apenas uma parte limitada do esforço financeiro destas instituições, de modo que a sua falência não venha agravar a situação das centenas de milhares de pessoas que delas dependem".
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