Presidente da EUROMIL considera "cruel" a "limitação" à associação de militares
O presidente da Organização Europeia de Associações Militares (EUROMIL), Emmanuel Jacob, considerou "cruel" que o governo e parlamento português tenham "retirado direitos" de manifestação e expressão aos militares, e apelou ao reforço da "luta política".
"É bastante lamentável que um parlamento democrático altere as leis no sentido de proibir que os seus militares possam agir como os demais cidadãos, quando estes mesmos militares apenas expressam a opinião de que os seus direitos foram negligenciados ou indeferidos", afirmou Emmanuel Jacob.
O responsável falava numa sessão que decorreu na Casa do Alentejo, em Lisboa, para manifestar a solidariedade com os militares que desde Agosto de 2005 foram punidos com sanções disciplinares pelas chefias, que contou com cerca de 150 pessoas.
O responsável considerou que "é ainda mais cruel retirar estes direitos aos militares quando são exactamente eles que são enviados para todo o mundo para reinstalar e até impor a paz, direitos humanos e liberdades fundamentais", referindo-se ao estatuto do dirigente associativo das Forças Armadas, publicado a 22 de Agosto e que as associações de militares portuguesas consideram limitar o direito de expressão.
A EUROMIL congrega 34 associações militares de 22 países europeus, entre as quais as portuguesas Associação Nacional de Sargentos (ANS), Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) e a Associação dos Militares na Reserva e na Reforma (ASMIR) .
Emmanuel Jacob, que tem prevista uma reunião com o ministro da Defesa Nacional, Nuno Severiano Teixeira, apelou aos militares portugueses que "continuem a colocar a pressão sobre os líderes políticos" para que o direito de associação e manifestação seja efectivo, dando o exemplo de países europeus como a Dinamarca, Irlanda e Itália.
"O nosso objectivo é dizer-lhes [ao poder político] que foi possível atingir um sistema que funciona perfeitamente em países como a Holanda, a Dinamarca, a Finlândia, a Alemanha, a Irlanda, a Bélgica, (...) sem "qualquer perda de eficiência militar ou de disciplina", afirmou.
Na sessão, o presidente da ANS, Lima Coelho, e da AOFA, Alpedrinha Pires, apelaram aos militares que se mantenham "unidos e coesos" na luta pelos seus direitos, não só associativos, mas também de "saúde, de sistema contributivo" e por "condições que permitam o exercício" da função militar.
Lima Coelho lembrou que desde Agosto de 2005 já foram instaurados 50 processos disciplinares, dos quais resultaram "uma advertência, uma repreensão, 18 repreensões agravadas, 93 dias de detenção e um dia de prisão disciplinar".