Presidente do STJ defende formação de magistrados em inteligência artificial
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) alertou hoje para a necessidade de formação dos magistrados na área da inteligência artificial, sublinhando que os avanços tecnológicos devem ser utilizados com audácia, mas também com prudência.
Na abertura do segundo colóquio "Tribunais e Inteligência Artificial: Uma Odisseia no Século XXI", que decorre no salão nobre do STJ, em Lisboa, João Cura Mariano sublinhou que a inteligência artificial "deve ser encarada justamente como uma tecnologia de apoio e de auxílio à decisão", permanecendo sempre sob o controlo de um humano.
Nesta perspetiva, o uso da inteligência artificial pode funcionar "como um assessor de alta precisão e de uma rapidez inultrapassável", uma vez que "máquina recolhe informação, sugere caminhos", considerou o presidente do STJ, "mas falta-lhe a capacidade de medir a Justiça" e só um juiz pode realmente tomar decisões.
"A atividade jurisdicional não é uma operação matemática de processamento de dados", acrescentou ainda João Cura Mariano, sublinhando que é necessária formação para que os magistrados possam utilizar a inteligência artificial para garantir uma Justiça mais célere.
"Devemos adotar a inovação com audácia, mas também com prudência", acrescentou.
Já em setembro do ano passado, o presidente do STJ alertou, em Braga, para a mesma questão, considerando que "quando o homem se demitir de julgar o seu semelhante, a sociedade estará muito perto do seu fim", referindo que será preciso "controlar a máquina".