Presidente dos Voluntários de Leixões de saída

O presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Leixões anunciou que vai pedir a demissão hoje à noite, depois de 40 bombeiros da corporação terem "entregue os capacetes" para exigir a renúncia da direcção.

Agência LUSA /

"Irei apresentar o meu pedido de demissão na reunião da direcção de logo à noite", disse Severo Pinhal à agência Lusa.

A corporação dos Bombeiros Voluntários de Leixões, Matosinhos, está desde quinta-feira com efectivos mínimos porque 40 dos 50 bombeiros no activo "entregaram os capacetes" a exigir a demissão da direcção e do comando.

"Por mim o impasse está resolvido", disse Severo Pinhal, que exige também a demissão do actual comando por considerar que "não reúne as condições" para se manter à frente da corporação.

Severo Pinhal reconhece dificuldades no relacionamento entre as hierarquias, por alegada "falta de ética e de disciplina" do comando.

"Tudo correu bem até há cerca de dois anos, quando este comando assumiu funções", disse, acrescentando que desde essa data "a indisciplina" marca o dia-a-dia da corporação.

Relativamente à falta de meios materiais, Severo Pinhal reconhece existirem algumas carências, mas nada que impossibilite o normal funcionamento da instituição.

"Qual é a corporação de bombeiros deste país que não se confronta com falta de material?" questionou, sublinhando o apoio financeiro e até de viaturas oferecido pela Câmara de Matosinhos.

Num comunicado distribuído à comunicação social, os voluntários de Leixões exigem a demissão da direcção e do comando da corporação.

Exigem também a presença do presidente da autarquia, Guilherme Pinto, para tomar conhecimento dos problemas da instituição, e solicitam ainda a realização de uma auditoria às contas.

No texto, os bombeiros reconhecem a falta de disciplina.

"Esta palavra já não tem espaço dentro deste quartel, desde a presidência ao comando, passando pela chefia e assim sucessivamente.

Ninguém se entende e todos se ofendem verbal e até fisicamente", lê-se no documento.

Contactada pela Lusa, a Câmara de Matosinhos escusou-se a fazer qualquer comentário a esta situação, por considerar que a autarquia não tem de se intrometer nos assuntos de uma instituição autónoma.

Contudo, disse estar disponível para receber e ouvir os argumentos dos bombeiros desde que estes terminem o protesto.

Ouvido pela Lusa, o comandante da corporação disse que a situação se tornou insustentável "desde que o comando, há cerca de nove meses, meteu a associação no Tribunal Administrativo" devido a uma questão de alegada indisciplina de um efectivo.

"Eu também sou voluntário e o mais fácil para mim seria virar as costas e ir-me embora, mas seria uma cobardia", considerou Joaquim Guedes, reconhecendo que "as coisas têm de dar uma volta para que a normalidade regresse ao quartel".

O responsável irá reunir-se hoje com o Centro Distrital de Operações de Socorro e no Governo Civil do Porto para explicar a situação e tentar resolver o impasse.

O concelho de Matosinhos é servido pelas corporações de bombeiros voluntários de Leixões, Matosinhos-Leça, S. Mamede Infesta e Leça do Balio.


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