Primeiro balão fabricado em Portugal sobrevoa Lisboa 3.ª feira

O primeiro balão de ar quente feito em Portugal vai sobrevoar Lisboa terça-feira, 297 anos depois do padre Bartolomeu de Gusmão ter colocado a voar um objecto conhecido como a "passarola".

Agência LUSA /

No dia 08 de Agosto de 1709, o padre luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão efectuou, em Lisboa, a primeira experiência prática documentada daquilo que viri a a ser o balonismo mundial.

Duzentos e noventa e sete anos depois a escola de pilotagem ANAC (Associaç ão Nacional de Aviação Clássica e Experimental) vai realizar uma homenagem públi ca àquele "percursor mundial" do balonismo.

A homenagem vai decorrer em Lisboa e consiste numa sessão solene na autarq uia lisboeta e num voo de balão a partir da Praça do Comércio.

Em declarações à Agência Lusa, João Cruz, membro da ANAC, revelou que o ba lão de ar quente que vai voar terça-feira é o primeiro feito em Portugal e que o s que actualmente se vêm nos céus portugueses são fabricados no estrangeiro.

Propriedade da ANAC, o balão está orçada em cerca de 20 mil euros, tem cap acidade para três pessoas e demorou um ano a ser construído.

"Só descobrimos que era o primeiro balão feito em Portugal através da matr ícula", disse.

A homenagem a Bartolomeu de Gusmão vai servir para explicar o que realment e aconteceu em 1709, uma vez que a imagem transmitida sobre a "passarola" não é correcta, salientou João Cruz.

"A passarola nunca existiu. É um desenho fantasioso", disse, adiantando qu e "aquela ilustração não é fiel à experiência do padre Bartolomeu de Gusmão".

De acordo com aquele membro da ANAC, Bartolomeu de Gusmão conseguiu pôr a voar um objecto mais leve do que ar.

"O que voou naquele dia de Agosto de 1709 foi um balão de ar quente em min iatura, mas não transportava ninguém", explicou, realçando que "existiu pouca di vulgação por parte de Portugal do feito do padre Bartolomeu de Gusmão e utilizou -se uma ilustração fantasiosa".

Devido à fraca estratégia de divulgação e à capacidade de promoção de Fran ça, a experiência portuguesa foi apagada.

De acordo com historiadores, a invenção dos aeróstatos (balões de ar quent e) deve-se a Bartolomeu de Gusmão, mas a primeira viagem aeronáutica confirmada cabe aos irmãos franceses Jacques e Joseph Montgolfier (1783).

Conhecido por "padre voador", Bartolomeu de Gusmão nasceu no Brasil em 168 5, mas foi em Coimbra que se formou, em direito religioso, e desenvolveu os estu dos de física e de matemática.

Em 1708 passa a trabalhar no projecto de um aparelho "mais-leve-que-o-ar" com grande dedicação. Entrega então a D. João V a petição de privilégio sobre o seu "instrumento de andar pelo ar", que lhe é concedida em 1709. A 05 de Agosto de 1709, o padre luso-brasileiro realizou, perante a corte portuguesa, no pátio da Casa da Índia, em Lisboa, a primeira demonstração de um balão que tinha construído.

O balão pegou fogo sem sair do solo, mas a 09 de Agosto cabaou por subir a quatro metros de altura.

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