Primeiros anos dos Casamentos de Santo António em exposição
Os primeiros dez anos dos Casamentos de Santo António vão poder ser revisitados a partir de hoje numa exposição que pretende retratar a animação que o evento trazia à Lisboa dos anos 60.
Organizada pela Câmara Municipal de Lisboa, a exposição, que pode ser visitada até ao final de Junho nos Paços do Concelho, faz uma retrospectiva fotográfica e videográfica daquilo que foram os primórdios dos Casamentos de Santo António.
"A ideia é mostrar aos lisboetas e a quem visita a cidade um percurso que mostre alguns aspectos curiosos do evento", que começou por ser uma iniciativa do extinto jornal Diário Popular em 1958, refere a autarquia em comunicado.
Em declarações à agência Lusa, uma fonte da Câmara de Lisboa adiantou que as fotografias foram recolhidas do Centro Português de Fotografia e do Arquivo Fotográfico de Lisboa e tinham como base a revista Fama e o jornal Diário Popular.
A pesquisa das fotografias ficou a cargo da fotógrafa Inês Gonçalves.
O filme que mostra vários anos dos Casamentos de Santo António foi realizado com imagens de arquivo da RTP, acrescentou.
Os casamentos de Santo António são uma tradição de Lisboa que nasceu para possibilitar o matrimónio a casais com maiores dificuldades económicas.
Nas primeiras edições, só o casamento católico era permitido e as noivas tinham de comprovar clinicamente a sua virgindade.
No primeiro ano, a iniciativa presenteou 60 casais entre os 18 e os 30 anos provenientes de famílias carenciadas de Lisboa, decorrendo as cerimónias na Sé Catedral de Lisboa.
Cada casal levava como convidados apenas os pais e padrinhos.
Depois da fotografia de conjunto nos degraus da Sé, os noivos caminhavam sobre uma passadeira vermelha, atravessavam o Largo da Sé e iam depositar o ramo de flores junto da imagem de Santo António num dos altares da igreja de Santo António.
A iniciativa desde cedo contou com o apoio da Câmara de Lisboa, "vindo a tornar-se um acontecimento incontornável, inserido nas festas populares da cidade", refere a autarquia, contando que a iniciativa foi muito bem acolhida pelos lisboetas e, com ela, cresceu a fama casamenteira de Santo António.
Os Casamentos de Santo António foram interrompidos em 1974 e recomeçaram em 1997, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa.
A cerimónia volta a repetir-se este ano, com mais 16 casais a darem o nó.
A cerimónia deste ano contará com 11 casamentos católicos, que se realizam na Sé Catedral de Lisboa, e cinco civis que decorrem nos Paços do Concelho.
As noivas, entre as quais há uma cidadã da Letónia, confiarão depois os seus bouquets de flores a Santo António, na Igreja dedicada a este santo, seguindo por fim para o Copo de Água, que terá lugar na Estufa Fria.