Prisão preventiva para dono de bar de alterne de Monção

O Tribunal dos Arcos de Valdevez determinou a prisão preventiva do proprietário do bar de alterne «Fim do mundo», de Monção, alegado cabecilha português de uma rede de tráfico de mulheres que opera no Brasil, disse fonte judicial.

Agência LUSA /

A fonte adiantou à agência Lusa, que o juiz de turno da comarca ouviu, durante todo o dia de sábado, os seis arguidos, quatro portugueses e dois espanhóis, que foram detidos quinta- feira de madrugada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) em Valença e Monção.

O Tribunal obrigou, ainda, ao pagamento de uma caução de 20 mil euros ao taxista de Valença, suspeito de participar no transporte das cidadãs brasileiras, a partir de aeroportos portugueses ou europeus.

Os restantes arguidos ficaram com Termo de Identidade e Residência e apresentações periódicas na polícia até à conclusão do inquérito.

As buscas que levaram à detenção dos arguidos foram realizadas no quadro de uma investigação conjunta entre o SEF e a Polícia brasileira à rede da "Gaúcha", de Goiás, que se dedica ao tráfico de mulheres, e que levou à detenção de seis pessoas no Brasil e outras tantas, em Valença.

Segundo a fonte, os polícias federais brasileiros participaram, como observadores, na operação realizada em quatro casas de alterne de Valença, junto à fronteira espanhola, e que resultou na detenção de seis pessoas, quatro portugueses e dois espanhóis.

As buscas incidiram nos bares «Dreams Club», «Dolce Vita», num café de Ganfei em Valença, e na boite «Fim do mundo», onde foram detidos cinco homens e uma mulher, proprietários ou gerentes, entre eles o gerente do «Fim do mundo», um homem de 40 anos, já referenciado nas investigações feitas no Brasil.

A operação contou com a colaboração da polícia espanhola, dado que muitas das mulheres vindas do Brasil acabam por ser transferidas para casas de prostituição de Espanha.

Durante as buscas, que incidiram nos bares e em domicílios, foram selados os três estabelecimentos e uma das casas particulares.

Foram, ainda, identificadas 33 mulheres - 32 brasileiras e um russa - envolvidas na prática de prostituição, que já foram ouvidas em Tribunal.

Segundo a fonte, algumas das brasileiras revelaram ao SEF que foram aliciadas pela rede "Gaúcha", que opera no Estado de Goiás, em alegada cooperação com a rede de Valença.

Em Abril, a Polícia brasileira desencadeou a operação "Castanhola" - facto amplamente noticiado na imprensa brasileira - que levou à detenção de seis pessoas, entre as quais a principal suspeita, conhecida como a «Gaúcha».

A rede de Goiás, uma das várias que actua no transporte de mulheres para Portugal e para a Europa, terá enviado, pelo menos, 300 brasileiras para Portugal e Espanha.

Para além da detenção dos seis suspeitos e das 33 brasileiras, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras apreendeu cerca de 10 mil euros em dinheiro e sete automóveis de luxo, entre os quais o táxi usado para o transporte das mulheres a partir de aeroportos europeus.

Segundo a fonte, esta não é a primeira vez que a Polícia Federal brasileira vem a Portugal para participar em investigações judiciais que envolvem mulheres brasileiras, tendo a cooperação entre as duas entidades sido reforçada nos últimos anos.

Em Portugal, o SEF tem vindo a intensificar o combate aos crimes de auxílio à imigração ilegal, auxílio à permanência ilegal, lenocínio, angariação de mão de obra ilegal e tráfico de pessoas.

As buscas integraram 57 efectivos do SEF numa operação que contou ainda com o acompanhamento das autoridades brasileiras, na pessoa de um delegado da Polícia Federal e de uma Polícia da Interpol, bem como da Oficial de Ligação de Imigração do SEF colocada no Brasil, numa congregação de esforços no combate ao tráfico de seres humanos, designadamente de mulheres.


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