Processo de Bolonha - Universidade do Minho adapta 30 cursos para próximo ano

A Universidade do Minho (UM) vai submeter a registo no Ministério do Ensino Superior 30 cursos adaptados ao modelo de Bolonha, aptos a funcionar no ano lectivo de 2006/07, disse hoje à agência Lusa fonte da Reitoria.

Agência LUSA /

O vice-reitor Manuel Mota adiantou que os cursos correspondem a licenciaturas do 1.º ciclo, com três anos, e licenciaturas com mestrados integrados, com três anos de licenciatura mais dois de mestrado, o agora denominado 2.º ciclo.

As excepções - sublinhou - são, nesta fase, as dos cursos de Direito, Economia e Arquitectura, cujas licenciaturas terão quatro anos, com mais um de mestrado integrado.

O Processo de Bolonha, que envolve 45 países europeus, visa constituir, até 2010, uma Área Europeia de Ensino Superior, que assegure a mobilidade dos estudantes entre instituições, o reconhecimento dos cursos, a empregabilidade, a transparência dos procedimentos e a valorização da educação ao longo da vida.

Manuel Mota adiantou que, no caso das engenharias, a adaptação dos cursos foi feita em parceria com o Instituto Superior Técnico e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.

Os futuros engenheiros - observou - poderão fazer uma licenciatura de três anos, que lhes permitirá mudar de universidade em Portugal ou no estrangeiro, mas terão de fazer o mestrado para conseguirem acesso à profissão, no quadro das exigências em vigor na Ordem dos Engenheiros.

"Ao todo, as universidades deverão apresentar, para registo ao Ministério, mais de 300 cursos, prontos para funcionarem de acordo com o Processo de Bolonha no próximo ano lectivo", adiantou o vice-reitor.

O diploma governamental que rege a entrada em vigor do Processo de Bolonha no ensino superior foi aprovado segunda-feira pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, tendo sido o primeiro a que apôs a sua assinatura desde que tomou posse.

Segundo o vice-reitor, a UM não procedeu à adaptação de 25 dos seus 54 cursos, dado que são licenciaturas ligadas à formação de professores, cuja reestruturação está em estudo no Ministério da Educação.

"Preferimos conhecer as futuras regras de formação de docentes", salientou, frisando que, noutros casos, como o de Psicologia, a adaptação ficou para 2007/2008, já que a licenciatura foi reestruturada em 2005.

O vice-reitor acentuou que "a adaptação a Bolonha não se limita à diminuição dos anos das licenciaturas, já que incide, essencialmente, numa mudança de paradigma e de métodos pedagógicos".

"Em vez de cursos ensinados haverá cursos aprendidos", disse, frisando que, "terão uma forte participação de trabalhos e pesquisas individuais e de grupo com acompanhamento dos docentes".

Manuel Mota garante que "um estudo feito em universidades holandesas demonstra que este método facilita a aprendizagem, e proporciona uma maior proximidade entre o aluno e o professor, diminuindo o insucesso escolar".

A mudança - acrescentou - "vai, também, forçar a adaptação dos edifícios e das salas, visto que deixam de ser necessários grandes espaços e anfiteatros onde se dão aulas a 100 alunos".

Para garantir o sucesso da mudança, a instituição canalizou uma verba de 750 mil euros, distribuída pelos vários departamentos, para formar docentes e preparar o processo.

A adopção do Processo de Bolonha tem ainda a vantagem de, "ao privilegiar a avaliação continua, diminuir o número de exames, o que reduz os longos períodos de tempo que lhe são dedicados", prosseguiu.

Este ganho de tempo possibilita a realização de estágios entre os dois semestres lectivos, permitindo que os alunos trabalhem em empregos temporários, como acontece nos Estados Unidos.


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