Produção de resíduos urbanos volta a aumentar em Portugal diz relatório

Produção de resíduos urbanos volta a aumentar em Portugal diz relatório

Portugal produziu no ano passado 5,667 milhões de toneladas de resíduos urbanos (RU), mais 2,11% do que em 2024, indicam dados hoje divulgados pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Só no continente, a produção de RU foi superior a cinco milhões de toneladas, correspondendo a 494 quilos de lixo por habitante, algo como 1,35 quilos por dia por pessoa.

Segundo os dados, publicados na página oficial da APA, a produção tem vindo sempre a aumentar no continente desde 2021, com os maiores aumentos nos dois últimos anos. Na Madeira houve uma tendência de aumento, mas mais acentuada nos últimos dois anos, e nos Açores a produção até baixou em 2023, mas também aumentou em 2024 e 2025.

Quanto à recolha de RU, não há diferenças significativas nos últimos anos, sendo a recolha indiferenciada a preferencial (75%), ainda que em cada ano aumente a recolha seletiva, embora numa evolução muito ténue, representando 24% do total de resíduos urbanos recolhidos no País.

No encaminhamento dos RU, as diferenças de 2025 em relação aos outros anos não são significativas. Houve uma redução da deposição em aterro, manteve-se no tratamento mecânico e biológico como destino preferencial e com a mesma expressão de anos anteriores.

Os gráficos da APA mostram que no ano passado 32% dos RU foram para tratamento mecânico e biológico, 25% para aterro, 19% para valorização energética, 13% para valorização material, 8% para reciclagem na origem e 3% para valorização orgânica.

Os dados apenas do continente mostram que nos últimos cinco anos a deposição em aterro não tem saído muito dos 55%, enquanto a da reciclagem tem ficado pelos 14%.

Entre todos os resíduos, os biorresíduos (37,42%) são a grande fatia, seguindo-se o plástico com 10%, o papel e cartão e os têxteis com cerca de 9%. Os resíduos perigosos representam 0,05%.

As metas apontam que a deposição em aterro não deve ir além de 10% em 2035, estando atualmente nos 52%.

Na área da preparação para reutilização e reciclagem, o processo que permite que os resíduos sejam reutilizados ou transformados, a meta era de 55% em 2025, mas o valor real ficou em 39% nesse ano.

Nos biorresíduos, a maioria dos municípios apresenta uma taxa de captura que varia entre 1 e 5% do total de biorresíduos produzidos na sua área de intervenção. E há, segundo a APA, 34 municípios que ainda não implementaram qualquer modelo de recolha e/ou tratamento de biorresíduos.

Em suma, diz a APA, os resultados de 2025 revelam "sinais de evolução positiva no setor dos resíduos urbanos, mas também a necessidade de uma aceleração significativa do seu desempenho".

O reforço da prevenção, da recolha seletiva --- em particular de biorresíduos ---, da recuperação de materiais e da eficiência das operações de tratamento constitui um fator determinante para a aproximação aos objetivos e metas estabelecidos.

 

 

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