Produtores de alfarroba protestam contra vaga de roubos

Produtores de alfarroba do Algarve manifestam-se esta sexta-feira, em Loulé, para exigir ao Governo a promulgação da lei proposta por um grupo de trabalho no âmbito do plano de ação contra furtos de citrinos, abacates e alfarroba.

Lusa /
Os produtores estão preocupados com o aumento dos roubos e tráfico de alfarroba DR

A manifestação, agendada para as 18h00, frente à Câmara de Loulé, concelho onde se concentra a maior extensão desta cultura de sequeiro, foi convocada pela cooperativa AGRUPA, a única associação de produtores de alfarroba e amêndoa do Algarve, que agrega cerca de 400 agricultores.

O presidente da AGRUPA, Horácio Piedade, acredita que a lei “é de extrema importância para acabar com os roubos e tráfico de alfarroba que se generalizaram por toda a região algarvia, com a impunidade dos compradores do fruto roubado”, além de conferir maior segurança aos produtores.

Segundo a GNR, o número de apreensões de alfarroba furtada no Algarve duplicou face ao ano passado, tendo sido apreendidas na região, desde janeiro, cerca de oito toneladas daquele fruto.

O valor comercial da alfarroba tem aumentado o que torna o fruto alvo de furtos: uma arroba (15 quilos) ultrapassa os 40 euros, quando há quatro anos era 5 euros.

"Os agricultores no Algarve estão descontentes porque nunca se viu tanto roubo como este ano (...) Todos os dias há dezenas de agricultores a serem roubados", denuncia à Lusa Horácio Piedade, presidente do Agrupamento de Alfarroba e Amêndoa (AGRUPA).

A cooperativa, que integra cerca de 400 produtores, integrou um grupo de trabalho composto por várias entidades públicas que desenhou uma proposta para regular a compra e venda de alfarroba, rastreando o produto através da obrigação de registo no Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP).

Segundo explicou aquele responsável, ao fazer o registo no IFAP era entregue um cartão com o número de identificação do produtor e o comerciante só poderia comprar quando o agricultor lhe apresentasse o cartão, o que evitava, também, a evasão fiscal.

Para este ano, estima-se uma produção de cerca de 40 mil toneladas de alfarroba no Algarve, o que é considerado um ano bom, mas embora a quantidade possa vir a ser superior do que no ano passado, a qualidade da alfarroba pode ficar comprometida pelo facto de a campanha estar a iniciar-se demasiado cedo.

A semente do fruto da alfarrobeira é utilizada em várias indústrias, como a farmacêutica, a cosmética ou a alimentar - como aditivo para pudins, papas de bebé e estabilizantes de gelados -, e também para a indústria têxtil.

A polpa da alfarroba, que representa 90% do peso do fruto, é aproveitada para doçaria variada, como bolachas e bolos, licores, xarope, pão e alimentação para animais.


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