Produtores querem que sal tradicional seja considerado alimentar
Os produtores nacionais de sal tradicional querem que este bem passe a ser reconhecido como um produto alimentar e não industrial, para que a sua comercialização seja facilitada e para que possam beneficiar de mais apoios.
A tentativa de que o sal tradicional (apanhado à mão e sem recurso a máquinas) seja reconhecido legalmente como produto alimentar é um dos grandes objectivos do projecto europeu Salinas do Atlântico (SAL).
O projecto, que se estende até 2007 no âmbito do programa Interreg III B (Arco Atlântico), visa recuperar e valorizar salinas tradicionais abandonadas em Portugal, Espanha, França e Reino Unido.
"Queremos que a produção de sal tradicional seja considerada uma actividade agrícola, para podermos beneficiar de apoios como os que são dados a outros produtos, como o vinho ou o azeite", disse à agência Lusa o coordenador nacional do projecto, Renato Neves.
O responsável falava hoje após a apresentação pública do projecto na Câmara de Castro Marim, uma das parceiras no Algarve, juntamente com a Associação de Produtores de Sal Marinho Tradicional do Sotavento Algarvio (Tradisal), a Universidade do Algarve e a produtora de sal Necton.
Segundo Renato Neves, o objectivo transnacional é criar uma federação europeia de produtores de sal tradicional para exercer pressão para que o produto seja reconhecido como alimentar, missão que até agora tem esbarrado "com muitas resistências".
Além da falta de mecanismos de apoio destinados ao produto, outro dos obstáculos decorrentes da actual legislação é a dificuldade em comercializar o sal tradicional, vendido principalmente em charcutarias e em lojas de "delicatessen".
Segundo Amadeu Chaves, da Câmara de Castro Marim, o objectivo que agora se impõe é criar mecanismos para facilitar a comercialização, pois a lei determina que, para ser vendido para consumo alimentar, o sal tenha que ser higienizado e refinado.
No entanto, o que distingue o sal tradicional do industrial é exactamente o facto de não ter de ser submetido a esse processo, sendo vendido tal e qual como é retirado das salinas.
"Como para vender o sal em pequenas embalagens nos exigem isso, a chegada às grandes superfícies é quase impossível", desabafa, acrescentando que quase todo o sal tradicional produzido em Castro Marim é direccionado para a exportação.
O projecto SAL, que envolve verbas de cinco milhões de euros, integra um total de 30 entidades de onze locais do litoral atlântico ligados à produção salineira tradicional e pertencentes a quatro países: Portugal, Espanha, França e Grã- Bretanha.
Em Portugal o projecto, coordenado pela empresa de consultoria Mãe d+Água, abrange quatro áreas de intervenção:
Aveiro, Figueira da Foz, Castro Marim e Leiria.