Professor universitário suspeito de agredir à facada jovem adolescente é "pessoa pacata"

Porto, 21 Fev (Lusa) - O professor universitário que terça-feira à noite alegadamente agrediu com uma faca de cozinha um jovem de 17 anos é "uma pessoa pacata, que lê muito e se interessa por política e economia", disse hoje à Lusa um vizinho.

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Segundo o co-proprietário do café frequentado pelo docente Manuel R. "nada fazia prever o que aconteceu" na noite de terça-feira, porque desconhecia que o professor tivesse problemas com alguém.

A mesma fonte contou que o jovem esfaqueado e mais quatro ou cinco companheiros assistiram, no seu estabelecimento, à primeira parte do jogo FCPorto/Schalke 04, saindo no intervalo.

"No final do jogo apareceu alguém a dizer que o rapaz tinha sido atingido no pescoço", disse Rui Silva, referindo ter também ouvido a versão de que o autor da agressão era o professor e que este tinha fugido, tendo sido encontrado pouco depois.

A mesma fonte disse que se deslocou ao local dos incidentes onde ainda viu o rapaz no chão e uma outra pessoa com um lenço no pescoço da vítima a tentar estancar o sangue.

"O INEM demorou 40 minutos a chegar", sublinhou.

Fonte policial contactada hoje pela Lusa afirmou que a vítima integrava um grupo de cerca de seis elementos que estava já "referenciado" pela prática de furtos, nomeadamente de telemóveis.

Aparentemente, segundo esta fonte da PSP, o professor "tornou-se inimigo do grupo no momento em que protestou contra a construção de um galinheiro nas traseiras de sua casa pelos familiares de um dos rapazes".

"As ameaças e a troca de insultos terão começado nessa altura e terá também sido na sequência destes acontecimentos que o professor sentiu necessidade de colocar uma porta blindada em sua casa", acrescentou.

A fonte policial considerou ainda que o professor está a ser alvo de "uma tentativa de assassínio de carácter".

"Estou convencido que o professor será ilibado, porque facilmente comprovará que actuou em legitima defesa", frisou.

O grupo de jovens a que alegadamente pertence o rapaz esfaqueado no pescoço tem idades entre os 16 e 20 anos e funciona muito numa lógica de "defesa da família e do círculo de amizades, assumindo como inimigo os que os ousarem enfrentar, por qualquer motivo", acrescentou a mesma fonte, referindo-se ao episódio do galinheiro.

Nas declarações que prestou à polícia, o professor disse que reagiu depois de ter sido agredido a "soco e com paus" pelo grupo.

Outras fontes contactadas pela Lusa apontaram "questões de má vizinhança" e o "feitio conflituoso" do professor como as causas mais prováveis da agressão.

Também alguns elementos do grupo de jovens, onde estava incluído o que foi agredido pelo professor, garantiram "nada ter feito" e atribuíram o esfaqueamento "às parecenças de um dos adolescentes com um filho de uma vizinha" com quem Manuel R. alegadamente mantém problemas.

O professor universitário foi ouvido, quarta-feira, no Tribunal de Valongo que lhe decretou prisão domiciliária, com pulseira electrónica, como medida de coacção.

O docente foi indiciado do crime de homicídio na forma tentada.

Apesar de residir há cerca de um ano em Ermesinde, em casa dos sogros, o professor universitário deu como morada oficial, para o cumprimento da medida de coacção, um endereço em Montalegre.

Em declarações à Lusa, fonte da GNR de Montalegre confirmou ter sido já notificada de que o docente ira cumprir a medida de coacção na sua residência, em Gralhas, Montalegre.

PM/JGJ.


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