Projecto Life-Biomares vai recuperar pradarias marinhas da Arrábida

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O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, anunciou a intenção de recuperar cerca de dez hectares das antigas pradarias marinhas da Arrábida no âmbito do projecto Life-Biomares, que decorre de 2007 a 2011.

Financiado pelo programa Life-Natureza da Comissão Europeia pelos parceiros e pela cimenteira Secil, o programa Life-Biomares prevê a plantação de ervas marinhas numa extensão de dez hectares de forma a aumentar a biodiversidade e recuperar as pradarias marinhas que existiam na zona da Arrábida há cerca de duas ou três décadas e que entretanto foram destruídas.

"Espero que ao fim de quatro anos já se possa ver a diferença. No pouco que já está replantado, já vemos os juvenis de peixe a procurar as pradarias marinhas", disse Humberto Rosa.

"Vamos ter aqui uma maternidade para que a pesca tenha mais condições. Este parque marinho é para fomentar a pesca e não o contrário, como alguns disseram", acrescentou o secretário de estado do Ambiente.

Humberto Rosa falava aos jornalistas envergando o fato de mergulhador que utilizou para participar na plantação de algumas `zoosteras marinhas` recolhidas previamente noutras zonas do estuário do Sado, no Rio Mira e na Ria Formosa.

As ervas marinhas são amarradas com materiais biodegradáveis a um gradeamento de ferro que é colocado temporariamente nos fundos marinhos, para facilitar o enraizamento das plantas que, de outra forma, poderiam ser arrastadas pelas correntes.

Na apresentação do projecto, que decorreu no Museu Oceanográfico, Humberto Rosa salientou que a replantação das pradarias marinhas só se tornou possível com a criação do Parque Marinho Luiz Saldanha e com as restrições à pesca naquela zona protegida que estão em vigor há dois anos, desde a implementação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida.

"Ainda hoje falei com um mergulhador experimentado que me disse que em dois anos já se nota muita diferença. O que queremos aqui é mais biodiversidade para o usufruto de todos", disse Humberto Rosa, convicto de que as pradarias marinhas da Arrábida já estão a dar sinais de recuperação.

A coordenadora executiva do projecto, Alexandra Cunha, explicou que o desaparecimento dos cerca de 30 hectares de pradarias marinhas que existiam na Arrábida se ficou a dever à acção humana.

A colocação de poitas para amarração dos barcos de recreio, a captura de bivalves por mergulhadores e a utilização da ganchorra, uma arte de pesca que provocava o desenraizamento das plantas marinhas e foi, entretanto, proibida (1998), são algumas das razões que provocaram o desaparecimento progressivo das pradarias marinhas da Arrábida.

Questionado sobre a possibilidade de o governo alargar as medidas restritivas a outras áreas marinhas, o secretário de estado Humberto Rosa disse que a extensão da Rede Natura 2000 ao mar está na agenda europeia e adiantou que já se estão a fazer alguns estudos nesse sentido.

"Há estudos em curso sobre as zonas para aves marinhas que poderão merecer protecção. Quando esse estudo estiver terminado - e um deles deverá estar terminado até final do ano - teremos condições para avaliar o que poderemos propor", concluiu Humberto Rosa.

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