"Projecto Rede Abrigo" para mamíferos em perigo na costa portuguesa
Golfinhos com pneunomia, baleias-anã ou focas sub-nutridas dão por vezes à costa portuguesa, mas a salvação destes grandes mamíferos está agora à distância de um telefonema.
Basta Ligar 968849101, o número de emergência da "Rede Abrigo", uma entidade coordenada pelo Instituto de Conservação da Natureza (ICN), com o apoio do Zoomarine de Albufeira, Jardim Zoológico de Lisboa e Projecto Delfim.
As primeiras manobras de salvamento são fulcrais para a sobrevivência do animal, realçou a bióloga Marina Sequeira.
O golfinho-comum, o golfinho-riscado e o golfinho- boto são os que mais aparecem em águas portuguesas, na maioria dos casos, vítimas de pneumonias, encefalites e infecções generalizadas.
Mas segundo aquela bióloga da Rede Abrigo, também aparecem focas que sofrem de subnutrição, pneumonia ou que estão infestadas de parasitas.
"Tartarugas, baleias-anãs, e até um peixe-lua e um tubarão-frade são outros mamíferos marinhos que já foram ajudados", recorda Marina Sequeira, adiantando que a Abrigo também já recebeu pedidos de salvamento para aves marinhas, como gansos-patolas ou gaivotas, cágados, mochos, aves de rapina, andorinhas e mesmo ouriços-cacheiros.
O projecto `Rede Abrigo`, único no País, visa salvar os mamíferos marinhos que dêem à costa portuguesa doentes ou desorientados, dando-lhes o apoio necessário para que possam regressar sãos e salvos ao seu habitat natural.
Contudo, o número de telefone da Rede Abrigo também já serviu para prestar auxílio a mamíferos terrestres, como cães e gatos, admitiu Marina Sequeira, realçando que por ano, ajudam a salvar, em média, dez mamíferos marinhos.
A primeira coisa a fazer quando se encontra na praia um animal doente ou traumatizado - recomenda aquela especialista - é telefonar para a `Rede Abrigo` ou para Polícia Marítima e dar o máximo de informações.
Um segundo passo é nunca retirar o animal de dentro de água e "tentar minimizar o ruído e a confusão à volta do animal", avisou a bióloga.
No caso do mamífero estar encalhado nas rochas "deve manter-se também o silêncio e molhar o animal", elucidou Marina Sequeira, advertindo para que o cidadão também se proteja de alguns perigos que podem surgir durante a acção de salvamento.
"Nunca pôr a mão perto da boca do animal", "manter- se afastado da cauda se for uma baleia ou tubarão pois há risco de partir uma perna", "não colocar a cara em cima da cabeça do animal onde está localizado o espiráculo (orifício para entrada e saída do ar)" são principais cuidados a ter, assinalou.
A Rede Abrigo, que funciona desde 1999, é constituída por uma equipa de biólogos, veterinários e cerca de 100 voluntários, com formação específica, espalhados por todo o País e que são chamados conforme o sítio onde residem e o local do aparecimento do animal.
O seu número de emergência (968849101) está ligado ao longo de todo o ano, 24 horas por dia.