Projeto-piloto em Évora quer proteger fauna e reduzir acidentes nas estradas
A preservação da fauna e a prevenção da sinistralidade rodoviária são os objetivos de um projeto-piloto que arranca, este ano, no distrito de Évora, com o registo dos animais silvestres encontrados mortos nas estradas.
A iniciativa, intitulada "Preservar a Fauna, Prevenir a Sinistralidade", junta o Comando Territorial de Évora da GNR e a comunidade académica, através das universidades de Aveiro, Porto e Évora.
"O projeto tem essa dupla vertente: preservar a fauna silvestre autóctone do país, que deve ser protegida porque muita dela já está vulnerável", e "prevenir a sinistralidade", realçou hoje o tenente-coronel Rogério Copeto, da GNR.
O oficial de Relações Públicas do Comando Territorial de Évora explicou à agência Lusa que a investigação arranca neste distrito alentejano porque é onde a Guarda, "desde 2012, faz o apanhado dos acidentes causados por animais".
O projeto, previsto durar cinco anos, deverá ser alargado, após 2015, "a todos os comandos territoriais da GNR", pois "a implementação de eventuais medidas de prevenção da sinistralidade e de proteção da fauna só faz sentido em todo o país", disse.
Segundo um estudo da GNR, em 2013, os animais, tanto os silvestres como os domésticos, estiveram envolvidos em 1.799 acidentes no país, com Évora a registar 109 desses sinistros.
"Além da morte dos animais, resultaram danos materiais nas viaturas e até vítimas mortais, como foi o caso do acidente de 25 de dezembro de 2013 em Évora, provocado por um cavalo, com quatro mortos", lembrou.
Sobre o ano passado, as estatísticas nacionais dos acidentes com animais ainda não estão disponíveis, mas já se sabe que, no distrito de Évora, ocorreram "112, 27 deles provocados por javalis", acrescentou.
"É de todo o interesse" o desenvolvimento deste projeto, argumentou o tenente-coronel Copeto, realçando que este estudo visa só animais silvestres, de menor e maior porte (ratinhos do campo, esquilos, aves de rapina, gato-bravo, saca-rabos, furões, raposas, lontras, corços e veados ou javalis, entre outros).
A GNR vai ter como responsabilidade a introdução numa base de dados de todos os animais silvestres encontrados mortos, registando qual a sua espécie, o local, o dia e a hora em que foram detetados.
A informação é depois transmitida aos investigadores das universidades, responsáveis pela análise dos dados e posteriores conclusões que "possam servir para prevenir a morte de animais silvestres por atropelamento e evitar que esses mesmos animais causem acidentes rodoviários".
"Há infraestruturas que se podem colocar, como passagens aéreas ou subterrâneas para animais, sinalização vertical ou uma luz azul que assuste a fauna e a afaste das estradas. E o próprio condutor, na presença de sinalização num local a alertar para animais, tem que adaptar a condução e reduzir a velocidade", indicou o tenente-coronel Copeto.