Projeto revela que cerca de oito em cada dez mulheres presas são mães

Projeto revela que cerca de oito em cada dez mulheres presas são mães

Mais de metade das mulheres presas em Portugal apresentam sintomas de ansiedade, depressão ou stress pós-traumático e cerca de oito em cada dez são mães, segundo dados do projeto `Women Behind Bars` avançados hoje à Lusa.

Lusa /

De acordo com os resultados preliminares do projeto desenvolvido pelo Ispa - Instituto Universitário, que utilizou uma amostra de 458 reclusas de um universo de 834 (dados de maio de 2025), 77,5% destas mulheres são mães e mais de 63% já eram cuidadoras primárias antes de terem sido condenadas a uma pena de prisão.

A saúde mental das mulheres também foi avaliada, tendo os resultados indicado que foram encontrados níveis moderados ou severos de ansiedade e depressão e de perturbação de stress pós-traumático em mais de metade da população prisional utilizada na amostra.

Outro dado que resultou do projeto "Women Behind Bars -- Female Portuguese Inmates` Characterization and Gender-Specific Needs Assessment", cujos resultados preliminares serão apresentados na quarta-feira e quinta-feira, está relacionado com a distância entre as cadeias e a zona de residências das reclusas: quase 59% das mulheres estão a cumprir pena a mais de 50 quilómetros de sua casa.

Esta distância, segundo a investigação financiada pela Fundação La Caixa, "contribui para o afastamento familiar, a redução do número de visitas e o agravamento do isolamento social".

Segundo a investigadora responsável por coordenar este projeto, Andreia de Castro Rodrigues, "os estudos internacionais mostram que as mulheres que cometem crimes apresentam experiências pré, durante e pós-reclusão substancialmente diferentes das dos homens, o que torna essencial uma análise específica deste grupo".

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