Proprietários de vacas mortas à fome e sede no Alandroal alvo de contra-ordenação
Os proprietários de um efectivo bovino abandonado perto do Alandroal, em que já morreram seis animais à fome e à sede, vão ser alvo de uma contra-ordenação, tal como aconteceu no ano passado, informou a GNR.
"O auto de contra-ordenação está a ser elaborado pela veterinária municipal do Alandroal, mas é uma situação que se arrasta há dois anos. Já no ano passado, foi levantada uma contra-ordenação pela mesma situação", disse hoje fonte da GNR, em declarações à agência Lusa.
O abandono a que está sujeito o efectivo de quase 40 vacas, que se encontra numa pastagem arrendada junto a Orvalhos, concelho do Alandroal (Évora), foi divulgado por vários órgãos de comunicação social.
Segundo a edição de hoje do Jornal de Notícias (JN), seis das vacas, que morreram à fome e à sede, foram enterradas no último fim-de-semana pelos serviços veterinários da Câmara Municipal do Alandroal.
O efectivo é propriedade de dois empresários, de Leiria e das Caldas da Rainha, e encontra-se numa pastagem arrendada numa exploração agrícola daquele concelho alentejano.
"A GNR recebeu uma denúncia sobre esta situação e alertou as entidades competentes, ou seja, a veterinária municipal, para tomarem conta da mesma e levantarem o auto de contra-ordenação", disse.
Os proprietários do efectivo bovino, acrescentou, "deixaram os animais completamente abandonados e não se preocupam em dar-lhes comida ou água".
"Estamos a colaborar na recolha de informação no âmbito do processo de contra-ordenação, mas nada mais podemos fazer", frisou.
Um habitante de Orvalhos, que mora próximo da propriedade onde se encontram as vacas, assegurou ao JN que, quando pode, ainda vai deixar água junto dos animais, mas lamentou nada mais poder fazer.
Os seis animais mortos, em avançado estado de decomposição, foram enterrados em valas, longe de lençóis freáticos, e cobertos com cal viva.
A veterinária municipal afiançou ao jornal que, se nada for feito, o restante efectivo também "vai acabar por morrer".
A Lusa tentou, ao longo de todo o dia, entrar em contacto com a veterinária municipal, Vera Cavacas, mas esta nunca esteve disponível.