Prostituição masculina é 11 por cento do total na cidade do Porto

Estudos desenvolvidos pela Liga Portuguesa de Profilaxia Social (LPPS) concluíram que a prostituição masculina no Porto representa já 11 por cento do total, segundo um levantamento feito junto de 70 pessoas que se dedicam àquela prática na cidade.

Agência LUSA /

A LPPS calcula também que 30 por cento das pessoas que se prostituem no Porto são dependentes de drogas, disse à agência Lusa o dirigente da instituição, o médico António Rui Leal.

A maioria tem um ou mais filhos, acrescentou o dirigente.

O médico disse que os estudos realizados permitiram confirmar não só prostitutos e prostitutas infectados com o vírus HIV/Sida, mas também com várias outras doenças sexualmente transmissíveis.

Um em cada três estava infectado com sífilis, havendo também muitos casos de hepatite C, precisou o dirigente da LPPS.

"É habitual um maior número de infectados pela Hepatite B mas, neste caso, constatamos que havia o dobro de infectados pela variante C", disse, explicando ainda que foram encontradas várias situações de tuberculose, associadas em geral à Sida.

Outro estudo da LPPS, este realizado em Novembro do ano passado, indiciou que duas em cada três prostitutas do Porto admitiram deixar aquela prática desde que obtivessem um emprego com um rendimento mensal "interessante".

"O problema é que só consideram interessante um rendimento de 2.000 euros, o que torna difícil equacionar soluções nesse âmbito", afirmou o responsável.

A LPPS colocou nas ruas do Porto a VAMP - Viatura de Apoio Móvel à Prostituição, com o objectivo de prevenir comportamentos sexuais de risco, através da educação para a saúde.

No âmbito deste projecto, tem realizado também consultas sobre doenças sexualmente transmissíveis, bem como análises sanguíneas e rastreio da tuberculose em prostitutas.

O projecto arrancou há sete anos e no concelho do Porto já realizou 20.900 contactos, em 900 turnos nocturnos de quatro horas cada, durante os quais foram distribuídos cerca de 304 mil preservativos.

Nos últimos tempos, o projecto VAMP expandiu-se para Nordeste, seguindo a rota da via rápida IP4 até Bragança, onde se tem procedido à recolha de sangue em prostitutas de bares de alterne.

O projecto tem sido apoiado pela Comissão Nacional de Luta Contra a Sida, mas o dirigente da LPPS disse que "só há dias" foi recebida a segunda tranche desse apoio.

"Agora o projecto está de novo estabilizado, mas estivemos em risco de o encerrar", referiu.

Agora, a LPPS espera a celebração de um protocolo que leve a autoridade regional de Saúde do Porto a pagar as análises sanguíneas a prostitutas de rua da cidade.

António Rui Leal manifestou ainda o desejo de que o Ministério da Saúde conceda subsídios regulares à LPPS, "que lhe permita subsistir como instituição".

Um pedido nesse sentido foi formulado ao Governo e, segundo o dirigente da LPPS, o actual ministro da Saúde, Correia de Campos, "evidencia vontade de resolver a questão".

A LPPS foi fundada em 1924 e o seu historial ficou marcado pela realização de campanhas sui-géneris como a desenvolvida em 1939 contra a proibição de casamento das telefonistas e das enfermeiras.


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