Proteção Civil registou terça-feira mais de 1.500 ocorrências
Portugal continental registou na terça-feira mais de 1.500 ocorrências devido ao mau tempo, a maioria inundações, adiantou à Lusa fonte da Proteção Civil, que assinalou também vários realojamentos ou retirada de população preventivamente e 15 resgates aquáticos.
Entre as 00:00 e 23:00 de terça-feira, foram registadas 1.514 ocorrências, a maioria por inundações (705), seguido de queda de árvores (260), movimento de massas (237), limpeza de vias (165) e queda de estruturas (131), referiu o oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), Pedro Araújo.
Estas ocorrências estão associadas aos fenómenos meteorológicos mais severos que atingem o continente, a chuva e o vento, e ocorreram maioritariamente no Norte e Centro do país, acrescentou.
A Área Metropolitana do Porto teve 321 ocorrências, seguido de Coimbra (223) e Aveiro (195).
No total, estiveram empenhados 4.630 operacionais e 2.089 veículos, indicou Pedro Araújo, acrescentando que a Proteção Civil não tem registo de vítimas.
Foram registados na terça-feira 15 salvamento aquáticos, sendo maioritariamente no Centro, com 11 ocorrências, na zona do Mondego.
Pedro Araújo alertou que a população deve ter "cuidados redobrados" e "evitar, de todo, ultrapassar zonas inundadas.
A água "está cada vez mais barrenta e por isso também com menor visibilidade para o que está por baixo desta água e, por isso, o risco de haver acidentes é cada vez maior".
"Têm que ser feito percursos maiores, mas em primeiro lugar a segurança", advertiu.
O comandante da ANEPC sublinhou que ocorreram na terça-feira inúmeras ocorrências por deslizamento de massas, principalmente a Norte e Centro (180), que levou a alguns realojamentos ou retirada preventiva de pessoas.
No concelho de Ponte da Barca, Viana do Castelo, duas ocorrências resultaram na retirada de 23 pessoas das suas habitações, lembrou Pedro Araújo, apontando que "os solos estão muito saturados e por isso começam a ter efeitos de escorrência", resultado em deslizamentos de terra.
As autarquias de Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho decidiram na terça-feira à noite retirar centenas de pessoas nas zonas ribeirinhas do Mondego.
Pedro Araújo referiu que mais de 3.500 pessoas devem ser retiradas preventivamente, ficando em casa de familiares ou em zonas de concentração e apoio à população dos respetivos municípios.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Pimenta Machado, adiantou na terça-feira à noite que o rio Mondego está com "um risco claro dos diques [margens]" poderem colapsar e provocar inundações face às previsões de forte precipitação.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou na terça-feira que são esperados hoje chuva e vento por vezes fortes devido à depressão Nils, que não irá afetar diretamente Portugal continental.
Em aviso laranja, entre as 06:00 e 18:00 de hoje, estão Viseu, Porto, Vila Real, Santarém, Viana do Castelo, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga.
Bragança, Guarda, Castelo Branco, Portalegre, Setúbal e Lisboa estão, por sua vez, sob aviso amarelo de chuva, válido até às 18:00.
O IPMA colocou ainda Bragança, Viseu, Porto, Guarda, Vila Real, Viana do Castelo, Castelo Branco e Braga sob aviso amarelo por vento, válido entre as 12:00 e 21:00 de hoje.
Portugal continental foi atingido no dia 27 de janeiro pela depressão Kristin, a que se seguiu a Leonardo e a Marta, que causaram 15 mortos e centenas de feridos e desalojados.