Protesto pelo direito à Habitação. Onze feridos e 31 detidos em Lisboa e no Porto

Protesto pelo direito à Habitação. Onze feridos e 31 detidos em Lisboa e no Porto

Houve nova carga policial contra os manifestantes que acamparam no Porto e em Lisboa. Onze pessoas ficaram feridas e 31 foram detidas, esta madrugada.

Inês Moreira dos Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Estela Silva - Lusa

Foram vários os protestos que decorreram no sábado por todo o país, com manifestantes a sair à rua em luta pelo direito à habitação. Já durante a madrugada deste domingo, houve duas cargas policiais contra ocupantes das praças em Lisboa e no Porto.

Há 31 detidos por alegada desobediência nos protestos em Lisboa e no Porto. A PSP avança que foram removidas e apreendidas 171 tendas.

Entre os feridos há três polícias e oito manifestantes. 

A organização dos protestos diz que o números de feridos é muito superior.

Dos detidos por desobediência, 25 foram em Lisboa e seis no Porto. Todos os detidos serão presentes a tribunal na segunda-feira.

Apesar da norma constitucional, a PSP voltou a carregar esta noite sobre os manifestantes concentrados no Porto e em Lisboa, em luta pelo direito à habitação.

Numa operação policial coordenada, pelas 2h00 da manhã a polícia desmontou os acampamentos no Rossio e na Praça Dom João I.

A Polícia de Segurança Pública justifica a operação, em comunicado, com os limites temporais e as condições de utilização e ocupação do espaço público. As autoridades sublinham ainda que avisaram várias vezes os manifestantes para retirarem as tendas e dispersarem. Não tendo acontecido, a PSP diz que foi obrigada a atuar.
Protesto em Lisboa

Em Lisboa, os manifestantes dispersaram por volta das 2h00 da manhã, depois de terem sido cercados pela polícia na Praça da Figueira.

Após mais de duas horas de tensão com a PSP, que pediu várias vezes aos manifestantes que retirassem as tendas que tinham montado no Rossio, a polícia interveio e avançou sobre a multidão.

Pelas 03h40, a Praça do Rossio estava vazia mas manteve-se cercada de elementos policiais.
Protesto no Porto

No Porto, à mesma hora que em Lisboa, a polícia também dispersou os manifestantes à bastonada.

Após mais de duas horas de tensão e ordens de dispersão não acatadas na Praça D. João I, ouviram-se gritos como: "Voltaremos", no fim do protesto que até então tinha decorrido sem incidentes.

A intervenção policial durou pouco mais de 10 minutos. A Unidade Especial de Polícia avançou para as tendas e destruiu o acampamento montado.
A Praça D. João I, no Porto, amanheceu este domingo vazia e com um polícia na esquina, após a intervenção policial que desmontou a acampada contra os custos da habitação e causou oito feridos, segundo dados da PSP.

A PSP reconheceu que a intervenção desta madrugada, pelas 02h00, causou oito feridos, mas a organização do movimento pela habitação no Porto apontou para a existência de 37 feridos, dos quais sete em estado grave.

Após algumas horas de tensão, a Unidade Especial de Polícia da PSP começou a desmobilizar os manifestantes na Praça D. João I, que recusaram desmontar as tendas.

Os oito detidos, levados para a esquadra do Heroísmo, foram libertos pelas 06h00 serão presentes a tribunal na segunda-feira, segundo confirmou o advogado do movimento que tem promovido os protestos, Tiago Machado.

Entre manifestações e as denominadas acampadas, com centenas ou milhares de participantes, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa e a outras cidades do país, dias depois de a aprovação parlamentar da nova lei do arrendamento, agora em discussão na especialidade.

As iniciativas, promovidas por movimentos cívicos e difundidas pelas redes sociais, reivindicam medidas que respondam à crise no setor, o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis e defendem impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário.


C/Lusa
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