Provedoria de Justiça. "É preciso investir mais no parque prisional português"

Provedoria de Justiça. "É preciso investir mais no parque prisional português"

Miguel Feldmann, coordenador do Mecanismo Nacional de Prevenção, faz visitas sem aviso prévio a locais onde estão pessoas detidas ou presas. "É preciso investir mais no parque prisional português", alerta.

Sandra Henriques - Antena 1 /
Foto: Sandra Henriques - Antena 1

O objetivo das visitas deste departamento da Provedoria de Justiça é prevenir situações de tortura, maus-tratos ou outros abusos. Miguel Feldmann, coordenador do departamento lamenta que haja um fosso entre a sociedade e o sistema penitenciário e considera que é preciso investir mais no parque prisional português.

Este departamento da Provedoria de Justiça faz visitas sem aviso prévio a locais onde estão pessoas privadas da liberdade, ou seja, detidos, presos, ou jovens entre os 12 e os 16 anos que cometeram crimes e estão em centros educativos.

O objetivo das visitas do Mecanismo Nacional de Prevenção é prevenir situações de tortura, maus-tratos ou outros abusos. Neste Dia Internacional dos Direitos Humanos, a Antena 1 entrevistou Miguel Feldmann, que diz que gosta de acreditar que as entidades visitadas acolhem as recomendações que lhes faz depois das visitas.

Nesta entrevista, Miguel Feldmann fala ainda sobre o último relatório que emitiu. O Relatório Temático sobre Acolhimento Especializado de Crianças e Jovens foi divulgado a 20 de novembro - Dia Universal dos Direitos da Criança - e foi depois apresentado num evento na Provedoria de Justiça, no dia 28 de novembro, intitulado "Cuidar, Proteger, Capacitar: desafios do acolhimento residencial de Crianças e Jovens", no qual estiveram presentes os representantes das unidades especializadas de acolhimento residencial visitadas pelo Mecanismo Nacional de Prevenção.

A propósito deste relatório, o coordenador do Mecanismo Nacional de Prevenção defende que seria importante haver uma intervenção precoce em contexto familiar para capacitar os pais de crianças em risco, porque isso levaria a uma menor taxa de remoção dessas crianças das famílias.

O importante é atuar do lado da prevenção para evitar um afastamento das crianças do meio natural de vida, defende Miguel Feldmann, que deixa ainda uma recomendação para evitar o círculo vicioso que se criou nos últimos anos que faz com que cada vez mais crianças e jovens que estiveram no sistema de promoção e proteção acabem depois em centros educativos: era importante haver mais celeridade nos processos tutelares educativos, sobretudo no caso de ofensas mais graves e de haver reincidência.
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