PS de Cantanhede exige esclarecimentos sobre Hospital João Crisóstomo
Coimbra, 22 out (Lusa) - O PS de Cantanhede solicitou hoje uma reunião com a Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) para obter esclarecimentos sobre o futuro do Hospital Arcebispo João Crisóstomo, que terá deixado de figurar na lista dos hospitais públicos.
A reação socialista surge horas depois de o Movimento dos Utentes dos Serviços Públicos (MUSP) ter entregado na Assembleia da República uma petição contra a eventual privatização do Hospital de Cantanhede.
Em comunicado, o PS salienta que pretende "obter todos os esclarecimentos relativos à notícia que dá conta da firme vontade do Governo entregar o Hospital de Cantanhede à União das Misericórdias".
"Estamos preocupados com o futuro, nomeadamente que serviços de saúde serão garantidos à população do concelho de Cantanhede e quanto terão de pagar", questiona a estrutura concelhia, considerando que a população e os trabalhadores do hospital têm direito a conhecer o que está a "ser negociado" neste processo.
"Ao senhor ministro da Saúde, autoridade máxima nesta área, cabe a obrigação de mostrar clara e inequivocamente qual o projeto que existe para a passagem deste hospital para a Misericórdia de Cantanhede", lê-se ainda no comunicado.
O líder distrital de Coimbra do PSD, Maurício Marques, disse à agência Lusa que apesar de o Hospital de Cantanhede não figurar na lista dos hospitais públicos "vai continuar a prestar serviços públicos, independentemente do seu modelo de gestão".
"O que importa é que o hospital está a prestar bons cuidados de saúde", sublinhou o dirigente social-democrata, salientando que muitas unidades no país geridas por misericórdias continuam a prestar "bons serviços públicos".
A petição, exigindo que o Hospital Arcebispo João Crisóstomo se mantenha "como hospital público e contra a sua privatização", reuniu mais de 5.000 assinaturas de utentes de Cantanhede, mas também dos municípios vizinhos de Mira e Montemor-o-Velho, nomeadamente da freguesia de Arazede, que está no raio de ação daquela unidade.
O texto do abaixo-assinado refere que a portaria 82 de 2014, de 10 de abril, exclui esta unidade de saúde da lista de hospitais públicos, "o que significa que o Ministério da Saúde já tomou a decisão de privatizá-lo", segundo o MUSP.
"Os abaixo-assinados pronunciam-se pela sua manutenção na esfera pública, integrado no Serviço Nacional de Saúde, no respeito do preceito constitucional de que a saúde é um direito universal, geral e tendencialmente gratuito, garantido pelo Estado", lê-se no documento.