PS exige esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre recusa de construção de residência estudantil na sua antiga sede

PS exige esclarecimentos ao Ministério da Educação sobre recusa de construção de residência estudantil na sua antiga sede

O grupo parlamentar do PS quer saber "de forma detalhada" os motivos que levaram o Governo a rejeitar um projeto que visava a construção de uma residência para estudantes na antiga sede do Ministério da Educação, sem custos para o Estado.  A notícia foi avançada pelo Expresso.

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Os socialistas endereçaram um conjunto de questões, através do Parlamento, ao Ministério da Educação e da Ciência (MECI) sobre um plano apresentado, em outubro do ano passado, por três instituições públicas de ensino para a criação de uma residência estudantil na antiga sede do ministério e que poderia vir a abrigar 453 estudantes, segundo noticia o jornal Expresso.

O semanário, que teve acesso ao projeto traçado pela Universidade Nova, o Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE) e o Instituto Politécnico de Lisboa (IPL), explica que as instituições se responsabilizavam pelo montante total a ser investido na empreitada, por meio de fundos próprios do consórcio, juntamente com um empréstimo aos Banco Europeu de Investimentos.

Tendo por base um projeto de arquitetura aprovado e licenciado pela Câmara de Lisboa, em agosto de 2023, e que custou à autarquia 700 mil euros, as obras dependiam apenas de parecer positivo do MECI. 

Avaliada em 25,2 milhões de euros, a proposta das instituições de ensino para a reconstrução do edifício na Avenida 5 de outubro, que se encontrava desocupado desde 2017, sairia a custo zero para o Estado, à qual a tutela do executivo de Montenegro nunca respondeu.

Já no final de janeiro foi anunciado que o imóvel passaria a albergar a sede da Universidade Aberta. Em contrapartida, o MECI ficará com o Palácio Ceia e com outro edifício contíguo, junto ao Príncipe Real, onde a instituição funciona atualmente, que serão posteriormente alienados em hasta pública.

O Expresso dá conta, citando a pergunta enviada ao Ministério da Educação e da Ciência pelo grupo parlamentar do PS, que os socialistas insistem em saber “quais são, de forma detalhada, os critérios objetivos, técnicos, financeiros e estratégicos que fundamentam" a decisão e “que alternativas concretas pretende o Governo desenvolver para compensar a não execução deste projeto”.

O executivo de Luís Montenegro tem um prazo de 30 dias para responder às perguntas do Partido Socialista, que não exclui convocar uma reunião com o ministro Fernando Alexandre ao Parlamento na eventualidade de os esclarecimentos prestados não se mostrarem totalmente elucidativos, segundo avança o semanário.

As justificações alguma vez prestadas pelo gabinete do MECI surgiram no final de janeiro, em declarações à imprensa portuguesa, aquando do anúncio da transferência do edifício na Avenida 5 de outubro para as mãos da Universidade Aberta. 

Questionado pelo jornal Expresso, o Ministério da Educação e da Ciência defendeu, na altura, que a sua decisão assentava na “insustentabilidade financeira de um edifício gerido por instituições de ensino superior públicas”, cuja “racionalidade económica” apenas “poderia fazer sentido numa iniciativa privada”.

Os argumentos da tutela do Governo são vistos pelo consórcio da Universidade Nova, ISCTE e IPL como o produto “de uma leitura superficial da proposta”, cujas “dúvidas po­diam ter sido esclarecidas em diálogo”.
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