PS mexe no Estatuto dos Jornalistas mas altera apenas questões vetadas por Cavaco

As alterações ao diploma do Estatuto do Jornalista vão visar apenas as questões que foram alvo de objecção no veto do Presidente da República, disse à Lusa o deputado socialista Arons de Carvalho.

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"O que será alterado são só os temas que estiveram na base do veto do Presidente", afirmou o deputado, garantindo que "não serão ultrapassadas essas questões".

Em causa estão 3 pontos avançados por Cavaco Silva no veto que dirigiu, a 3 de Agosto, à Assembleia da República: o sigilo profissional, o regime de sanções e os requisitos para o exercício da profissão.

Em relação ao sigilo profissional, o Sindicato dos Jornalistas propõe que "a revelação das fontes confidenciais de informação apenas possa ser ordenada pelo tribunal (...) e quando comprovadamente seja imprescindível à prevenção de crimes contra a vida ou a integridade física de pessoas".

Por outro lado, no que respeita ao regime de sanções, o sindicato mantém a discordância em relação ao período máximo de suspensão (12 meses) e propõe que passe para metade.

Além disso, refere que a cassação temporária da carteira profissional (prevista no diploma) representa um "risco de caducidade do contrato", podendo lançar o jornalista no desemprego.

Por isso, propõe que a previsão desta sanção seja apreciada na Comissão de Trabalho da Assembleia da República e mesmo submetida a consulta pública.

O SJ também não concorda com as regras de acesso à profissão definidas no Estatuto, defendendo que a obrigatoriedade de ter habilitações superiores seja substituída pela obrigatoriedade de ter um curso de estágio.

Mas para o Sindicato dos Jornalistas estas não são as únicas alterações que o Estatuto deve sofrer.

O organismo propõe ainda que sejam fixados na lei mecanismos céleres que garantam o efectivo acesso dos jornalistas aos documentos da Administração pública, que a composição da secção disciplinar da Comissão da Carteira seja constituída exclusivamente por membros eleitos por jornalistas e que as ordens a que os jornalistas obedecem possam apenas provir dos chefes de redacção ou dos directores.

O Presidente da República vetou politicamente, em Agosto, o diploma que altera o Estatuto dos Jornalistas, solicitando à Assembleia da República uma nova apreciação do texto, discussão que está agendada para a próxima quinta-feira.


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