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PS, PCP e BE condenam execução de Saddam Hussein

PS, PCP e BE condenaram a execução de Saddam Hussein, com o Bloco de Esquerda a comparar o enforcamento do ex-líder iraquiano a um "linchamento vingativo".

Agência LUSA /

"Trata-se de uma execução ao pior estilo colonial, de um linchamento vingativo (...) Mostrou, para todos quantos ainda tinham dúvidas, a natureza da `democracia` que George Bush prometeu implementar no país", criticou o deputado do Bloco de Esquerda João Semedo, numa declaração política no plenário da Assembleia da República.

João Semedo, que considerou esta execução um crime político e jurídico, lembrou a participação portuguesa no início da guerra do Iraque.

"Não nos esquecemos que foi na Cimeira das lajes, em território português, com o aval do Governo PSD/PP, que foi dada a ordem de partida para a invasão do Iraque, iniciando uma guerra à revelia do direito internacional e suportada pela mentira grosseira das armas de destruição massiva", frisou João Semedo.

Apesar do deputado do BE ter exortado os deputados do PSD e do CDS-PP a pronunciarem-se sobre este assuntos, apenas o PS e o PCP responderam à intervenção de João Semedo.

Vera Jardim, pelo PS, associou-se à condenação do "lastimável espectáculo" em que se transformou a morte de Saddam Hussein, criticando quer a pena de morte quer a forma como o enforcamento foi transmitido, nomeadamente pelas televisões portuguesas.

"No Iraque, só faltava esse deplorável acontecimento para piorar ainda mais a situação. Sai-se sempre mal de uma guerra que não teve a legitimidade da comunidade internacional e foi baseada num conjunto de mentiras", lamentou o ex-ministro socialista.

Também o líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, condenou a execução do antigo líder do Iraque, aproveitando para reiterar o apelo para a retirada dos Estados Unidos do território iraquiano.

O ex-Presidente iraquiano, deposto pela invasão anglo-norte-americana do Iraque (2003), foi executado sábado em Bagdad, quatro dias depois de o Supremo Tribunal Iraquiano confirmar a sua condenação à morte pelo massacre de 148 xiitas em 1982.

As autoridades iraquianas divulgaram no próprio dia um vídeo oficial da execução - alguns segundos de imagem, sem som, mostrando os últimos momentos de Saddam - mas, no domingo, foi colocado na Internet um vídeo "pirata" de mais de dois minutos em que se ouvem algumas das testemunhas da execução gritarem "vai para o inferno" e se mostra o enforcamento até ao fim.

O Movimento de Intervenção e Cidadania (MIC), fundado após a campanha presidencial de Manuel Alegre, afirmou também esta quinta-feira, em comunicado, que se o direito internacional tivesse funcionado Saddam nunca teria cometido crimes e o Iraque não teria sido invadido.

Manifestando a "náusea e revolta" que as imagens da execução provocaram aos seus membros, o MIC considera que deste caso há uma "lição" a tirar: "Se o direito internacional tivesse sido respeitado, nem os Estados Unidos teriam invadido o Iraque, nem o julgamento de Saddam Hussein teria sido parcial, nem a pena de morte teria sido aplicada e nem Saddam Hussein teria cometido os crimes que cometeu". "Quando o primado do Direito Internacional se aperfeiçoar, os Estados Unidos aderirão, estamos certos, ao Tribunal Penal Internacional e sujeitar-se-ão, como os demais Países, ao julgamento e à censura da regras que previnem e punem os infractores desse direito internacional", acrescenta o movimento.


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