PS vai "avaliar" propostas do Chega para reduzir IVA dos combustíveis. PSD receia "votações cruzadas"

PS vai "avaliar" propostas do Chega para reduzir IVA dos combustíveis. PSD receia "votações cruzadas"

O PS garante que vai "avaliar" as propostas anunciadas pelo Chega para reduzir o IVA nos combustíveis e para eliminar o IVA no cabaz alimentar, mas assegura que a posição será tomada depois de conhecer os detalhes: "É uma questão de avaliar, veremos o que fazer na altura", disse, na RTP Antena 1, o deputado Carlos Pereira.

João Alexandre /

Fotografias: Jorge Carmona

No programa Entre Políticos, o socialista sublinhou que é "cedo" para anunciar uma decisão, mas assinalou que, no que diz respeito ao IVA dos combustíveis, o PS também "se tem posicionado nesse sentido". "É uma medida que o Partido Socialista tem. Não conhece ainda a medida do Chega, mas é uma questão de avaliar. Veremos o que fazer na altura", acrescentou Carlos Pereira, que critica o momento escolhido pelo Governo e pelo primeiro-ministro para avançar com os anúncios de medidas de redução do IRS e de um bónus para os pensionistas.

"Eu acho que a erosão na credibilidade do Governo e do ministro das Finanças é brutal, porque quando o ministro das Finanças, há cinco dias, antes da moção de censura, envia para a Assembleia da República um Quadro de Políticas Invariantes - que determina aquilo que vai fazer - e não conta com estes 800 milhões de euros que apresentou no dia 9 de setembro, realmente não fez estudos nenhuns. Aquilo foi uma decisão de cartola em cima da mesa", defendeu o deputado, que remata: "Foi uma tentativa de tapar as responsabilidades de escrutínio".
Na RTP Antena 1, o deputado socialista assegurou ainda que o PS vai encarar as negociações orçamentais com sentido de responsabilidade: "O PS tem mostrado não só prudência, mas também moderação na forma como tem feito esta oposição e como tem apresentado as suas propostas".

Pelo Chega, o deputado Rui Afonso confirmou que a proposta de descida da carga fiscal sobre os combustíveis vai avançar na próxima semana e colocou a medida entre as prioridades do partido.

Vamos avançar, vamos colocar na ordem do dia, quer a redução dos combustíveis, quer o IVA zero no cabaz alimentar”, afirmou o deputado.

Rui Afonso justificou a proposta com o impacto que o preço dos combustíveis está a ter nas famílias e nas empresas, em particular no setor dos transportes: “Temos famílias completamente asfixiadas com o aumento do custo de combustível”, disse o deputado do Chega , que considera que o combustível tem um peso transversal na economia portuguesa. “O combustível é a base da economia nacional. Grande parte da indústria e das empresas nacionais dependem de combustível para sobreviver”.

No mesmo sentido, o Chega lança um apelo ao líder do PS, José Luís Carneiro, para que acompanhe as propostas que vão chegar à Assembleia da República.

"O próprio secretário-geral do PS já disse que também queria avançar com essas medidas. Esperemos que nos acolha e que realmente possamos fazer passar essas medidas. Mas, o mais importante aqui é nós percebermos que o país não está melhor", apontou.
Rui Afonso lamenta ainda o momento escolhido pelo chefe do Governo para anunciar descidas no IRS e novidades para os pensionistas: "Aquilo que Luís Montenegro quer fazer, no fundo, é propaganda política. É dizer que não podemos reduzir o IVA dos combustíveis a bem da prudência orçamental e que não podemos reduzir o IVA ou isentar o IVA no cabaz alimentar a bem da prudência orçamental. Mas, de repente, aparece com duas medidas estratosféricas".
PSD pede "responsabilidade orçamental" a Chega e PS
Na RTP Antena 1, António Rodrigues, deputado do PSD, insistiu que os partidos devem assumir responsabilidade nas decisões que tomarem durante a discussão do Orçamento do Estado e lançou um apelo dirigido, sobretudo, às bancadas do Chega e do PS.

Uma coisa é discutir, apresentar e fazer. Outra coisa é, de forma cruzada, votar situações que põem em causa exatamente aquilo que se pretendia fazer, que é realizar as contas certas”, afirmou o deputado, que acrescenta: “Se os partidos tiverem responsabilidade, isto não acontecerá”.

O vice-presidente do grupo parlamentar social-democrata manifesta, no entanto, receios sobre as negociações que vão decorrer até ao dia da entrega do documento no parlamento.

"Naturalmente preocupamo-nos, mas temos a consciência de que haverá responsabilidade nesta matéria e que digam politicamente uma coisa e que ajam de uma forma diferente quando chegar o momento da decisão. Outra coisa é juntarem forças na sombra para votarem cruzadamente", salientou.

António Rodrigues rejeita ainda que o Governo e Luís Montenegro tenham sido imprudentes ao avançar com anúncios sobre o IRS e as pensões semanas antes da entrega da proposta orçamental.
 "Claro que não. Há aqueles que dizem que estes anúncios da descida do IRS ou das pensões foram manobras de diversão. Eu diria que o que foi manobra de diversão foi tudo aquilo que aconteceu na discussão à volta de Luís Neves durante todo este verão. Não faz qualquer sentido dizer que o que o Governo fez com estas medidas foi comprar votos porque não há eleições à vista nos próximos dois anos", insistiu.
Livre antecipa "dificuldades" do Governo para garantir equilíbrio orçamental: "Medidas custam 800 milhões de euros"
O Livre mostra-se preocupado com o rumo das contas públicas após o anúncio de um alívio fiscal e de um bónus para os pensionistas, e defende que, mais importante do que medidas pontuais para fazer face ao aumento dos combustíveis, o país deve apostar na transição energética.

Nós devíamos estar a fazer algo para acelerar ainda mais a transição energética, a transição para uma economia muito mais dependente da eletricidade e não tanto dos combustíveis e do petróleo”, afirmou Paulo Muacho.

Para o deputado, o Governo terá ainda dificuldades em dar resposta aos vários desafios que têm sido ofuscados pelo caso que envolve o ministro da Administração Interna, ao mesmo tempo que procura apresentar "contas certas" aos portugueses.

"Eu acho que vai ser difícil o Governo conseguir cumprir esses objetivos, principalmente porque há uma discrepância entre aquilo que o Governo nos diz e aquilo que está a ser feito. Foi feito, por exemplo, um anúncio de que o PRR está concluído. Ora, é óbvio que está concluído quando se tiram obras que já se percebeu que não se vai conseguir concluir, como a Linha Vermelha do Metropolitano de Lisboa ou o Hospital de Todos os Santos. Tiram-se do PRR para depois dizer que está concluído", argumenta.
Paulo Muacho acrescenta ainda que os anúncios feitos por Luís Montenegro durante o debate da moção de censura têm de ser enquadrados num cenário de equilíbrio orçamental.

"Como é que o Governo vai compensar essas medidas? Essas medidas custam 800 milhões de euros e o Governo vai ter que explicar onde é que vai buscar esse dinheiro", remata.

O programa Entre Políticos é moderado pelo jornalista João Alexandre.
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