PSD considera pergunta "capciosa" desde 1998 - Marques Guedes
O líder parlamentar social-democrata, Luís Marq ues Guedes, afirmou hoje que o PSD considera desde 1998 que a pergunta do refere ndo sobre o aborto é "capciosa" e "não fala a verdade", apesar de a ter aprovado recentemente.
"A pergunta é essa porque é exactamente a mesma de há oito anos. E nós há oito anos nós dissemos que a pergunta era capciosa, que não falava a verdade, que não punha as coisas pelos nomes", recordou Marques Guedes.
"Mas o PSD sabe distinguir o essencial do acessório", acrescentou, cont udo, o líder parlamentar social-democrata, concluindo que o essencial era que se mudasse a lei sobre o aborto através de referendo e não "nas costas dos portugu eses".
Luís Marques Guedes falava em resposta à deputada do Bloco de Esquerda (BE) Helena Pinto, que leu uma declaração do líder parlamentar do PSD feita em O utubro de 2006, quando a proposta do referendo foi aprovada, e criticou o presid ente social-democrata, Marques Mendes.
"Temos um projecto de lei, aprovado na generalidade, que já só se propõ e introduzir a despenalização do aborto quando livremente realizado nas primeira s 10 semanas de gravidez e uma proposta de pergunta que se reconduz a isso mesmo ", citou a deputada do BE.
"Como é que é possível, então, que o senhor deputado Marques Mendes ven ha agora, em plena campanha, dizer que a pergunta é enganosa", questionou Helena Pinto, salientando que esta foi aprovada com os votos do PS, PSD e BE e que só o CDS-PP propôs alterá-la.
"Não se pode dar o dito pelo não dito. E, se mudou de posição em tão cu rto espaço de tempo, tem o dever de o explicar", defendeu a deputada do BE, cons iderando que o presidente do PSD "não respeitou a sua responsabilidade como depu tado" e que "desprestigia a coerência do seu mandato".
Na resposta, além de referir que em 1998 o PSD discordou da pergunta, M arques Guedes acusou Helena Pinto de "utilizar o seu cargo de deputada pelas sua s convicções" e de "não respeitar as opiniões dos outros".
Marques Guedes afirmou também que as suas palavras em Outubro de 2006 n ão diziam respeito "à substância da pergunta" mas sim ao facto de o PS ter elimi nado outros artigos do seu projecto de lei.
"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, s e realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento d e saúde legalmente autorizado?" é a pergunta que será colocada aos portugueses n o dia 11 de Fevereiro, igual à do referendo de 1998.
Sobre as críticas feitas há oito anos por Marques Guedes, considerando que a pergunta é "capciosa" e "não fala a verdade", Helena Pinto assinalou que n ão as encontra na intervenção do líder parlamentar social-democrata feita no ano passado.
Por sua vez, a deputada do PS Ana Catarina Mendes sublinhou que nessa o casião "o PSD votou favoravelmente a pergunta, sem questionar se era falsa ou nã o era falsa".
Em Aveiro, no sábado, Marques Mendes argumentou que o que está em causa no referendo é "a liberalização do aborto", acrescentando que "a pergunta é eng anosa, embora tenha de ser respeitada a decisão do Tribunal Constitucional".
Na quarta-feira, no entanto, confrontado com o seu voto a favor da perg unta, o presidente do PSD alegou que "nunca disse mal de pergunta nenhuma", decl arou que o problema, para si, "não é a pergunta", que é um "moderado do não" que lutou para que se realizasse o referendo de 11 de Fevereiro.
O CDS-PP, que propôs no Parlamento uma pergunta alternativa à aprovada, voltou hoje, através do deputado Pedro Mota soares, a defender que a questão a que os eleitores vão responder "é verdadeiramente uma falácia".