PSD está sem espaço manobra e limita-se a "aguentar o barco"
O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, afirmou em Gaia que a "política de direita" do Governo PS está a tirar espaço de manobra ao PSD, partido que, por isso, se limita a "aguentar o barco".
"Como é que o PSD há-de ter chama, alegria e novidade, quando hoje existe um Governo, eleito com votos à esquerda, que está a praticar uma política de direita?", questionou o líder comunista, em declarações aos jornalistas, no final do 8º Congresso da Juventude Comunista Portuguesa (JCP).
Face a este quadro, disse Jerónimo de Sousa, "o PSD elegeu Marques Mendes para ir aguentando o barco até às próximas eleições porque a sua política já está a ser realizada".
"A direita até está contente porque tem um outro protagonista a realizar aquilo que eles não conseguiram", afirmou.
Jerónimo de Sousa referiu que as propostas de transferência para privados de várias actividades do Estado e de redução do número de funcionários públicos, feitas hoje por Marques Mendes, no fecho do congresso social-democrata da Póvoa de Varzim, "não trazem novidade".
"Basta consultar a proposta feita pelo PSD em sede de Orçamento [Geral do Estado para 2006]. É trazer de novo à ordem do dia essa proposta num quadro de pressão junto do PS (Ó) para realizar a política que a direita gostava de concretizar em Portugal", sublinhou o líder comunista.
Classificando o congresso social-democrata de "morno", Jerónimo de Sousa disse que o PSD olha o futuro "fazendo contas ao desgaste clássico dos governos", para encenar "uma grande rebelião no seio do partido, com ar de novidade", que lhe permita voltar a constituir-se como alternativa.
Num longo discurso perante os jovens congressistas da JCP, Jerónimo de Sousa aludiu também à postura do PSD, referindo que o partido liderado por Marques Mendes "não questiona a substância" das políticas governamentais socialistas, mas apenas "a forma e o ritmo".
O Bloco de Esquerda foi igualmente criticado no discurso do líder comunista pela sua proposta, apresentada esta semana, de um sistema de pagamento progressivo de contribuições para a Segurança Social.
"É um proposta que [José] Sócrates certamente não enjeitará", ironizou, referindo-se ao primeiro-ministro.
Jerónimo de Sousa afirmou ainda que os gestores e os "técnicos da corte" "todos os dias elogiam a coragem de Sócrates nas medidas contra os trabalhadores" e querem o PS "a fazer o trabalho sujo que os governos de direita não tiveram condições para fazer".
O 8º Congresso da JCP, que durante dois dias decorreu no Pavilhão Municipal de Gaia, contou com a presença, na cerimónia de encerramento, do presidente da câmara local, o social-democrata Luís Filipe Menezes, cuja "hospitalidade democrática" foi saudada por Jerónimo de Sousa.
O líder comunista escusou-se, contudo, a avaliar se Menezes seria melhor líder do PSD do que Marques Mendes.
"Deus me livre! Nessa não me meto", retorquiu a uma pergunta dos jornalistas.