PSP nega "arrastão" mas reconhece agressões, furtos e roubos

A PSP negou a ocorrência de um "arrastão" nos incidentes de 10 de Junho na praia de Carcavelos, caracterizando-os como uma série de "agressões, furtos e roubos" e "alguma acção conjugada" de cerca de 30 indivíduos.

Agência LUSA /

No relatório - hoje divulgado à comunicação social - que o Comando Metropolitano de Lisboa da PSP elaborou sobre aqueles acontecimentos para a Direcção Nacional da instituição e para o Ministério da Administração Interna (MAI) afirma-se que "a inexistência de denúncias de furtos ou roubos não sustenta a tese do +arrastão+", termo utilizado inicialmente pela própria Polícia de Segurança Pública para definir os factos.

De qualquer modo, a PSP refere que o grupo de trinta indivíduos agiu de "forma inopinada mas agregada", correndo pela praia, para "tentar apoderar-se de alguns objectos" dos banhistas.

No documento explica-se que no feriado nacional de 10 de Junho "verificou-se um grande fluxo de indivíduos (cerca de 400), maioritariamente de origem africana, para a praia de Carcavelos, utilizando como transporte principal o comboio da linha de Cascais".

O fluxo à praia de Carcavelos verificou-se de forma gradual, em vários grupos de cerca de 10 a 20 indivíduos, desde as 09:30 até às 13:00.

"Cerca das 14:00, gerou-se um ambiente de pouca tranquilidade na praia, provocado por alguns distúrbios entre indivíduos de origem africana e outros de nacionalidade brasileira e de Leste", refere o relatório policial.

A PSP adianta que ocorreram na praia "inúmeras incivilidades generalizadas provocadas por estes grupos (música alta, correrias, danças, jogos de bola, linguagem grosseira, assalto a outras pessoas, desafios verbais e atitudes intimidatórias).

Verificaram-se, também, "alguns furtos e roubos a utentes" da praia de Carcavelos, mas "apenas foi efectuada uma denúncia por roubo" naquele espaço.

"As incivilidades praticadas pelos indivíduos de origem africana, conjugadas com o elevado número de utentes da praia (mais de 15 mil), causaram uma enorme instabilidade e sentimento de insegurança" no local, reconhece a PSP.

A PSP informa, também, que foram identificados cerca de 40 indivíduos que se encontravam na praia à hora dos factos e que "estarão ligados aos actos e incivilidades referidos".

Segundo o relatório, as fotografias difundidas pela comunicação social sobre os acontecimentos verificados na praia de Carcavelos mostram "diversos indivíduos a correr desenfreadamente, provocando, aparentemente, o efeito visual de +arrastão+", mas "dado o facto de nas mesmas serem visíveis agentes policiais conclui-se que esta ocorrência se deveu ao receio dos mesmos à intervenção policial".

"No que respeita aos objectos visíveis nas fotografias e que esses indivíduos transportavam, face à inexistência de denúncias, não podemos afirmar peremptoriamente serem produto de roubo ou furto, levando à suposição que poderão ser dos próprios", ressalva a PSP.

"Os elementos ora apurados, em conjugação com as imagens recolhidas, não configuram qualquer situação de +arrastão+, caracterizado este como vulgarmente é conhecido no Brasil, em que um enorme grupo de indivíduos assalta banhistas, retirando-lhes pela força os bens que possuem", lê-se também no relatório enviado para o MAI.

Outro argumento citado pela PSP para sustentar a tese do não "arrastão" prende-se com a quantidade, diferentes origens dos grupos de indivíduos e horas de chegada à praia de Carcavelos.

"Face ao elevado número de indivíduos referidos, bem como os diferentes pontos de origem (Loures, Amadora e Sintra) e horas de partida, não estamos em crer que se tenha tratado de uma acção generalizada previamente concertada", explica o documento.

"Num primeiro momento e antes da recolha das versões dos elementos policiais que actuaram no areal, os factos descritos não se apresentaram de modo algum claros", admite-se no relatório, subscrito pelo comandante metropolitano de Lisboa da PSP, superintendente Francisco Oliveira Pereira, e datado de 29 de Junho.

"Daí as referências" - acrescenta-se - "ao elevado número de intervenientes de origem africana e outras, que praticaram sim as incivilidades descritas e se movimentaram conforme referido, mas não as ocorrências de roubos em massa como é típico das situações de +arrastão+".

No próprio dia 10 de Junho, o oficial de serviço à Divisão de Cascais da PSP, subcomissário Carlos Gonçalves Pereira, elaborou um relatório em que referiu que "teve conhecimento que na praia de Carcavelos estavam concentrados cerca de 500 indivíduos de etnia negra que se encontravam a roubar e a agredir os utentes através do método conhecido como +arrastão+".

"Chegado ao local, constatei a veracidade dos factos relatados, tendo constatado também a gravidade dos mesmos, motivo pelo qual, depois de organizar devidamente o efectivo presente, foi efectuada uma intervenção junto ao areal com o intuito de dispersar os meliantes e repor a normalidade, o que foi conseguido", acrescenta-se no relatório.

Entretanto, uma fonte policial disse à Agência Lusa que o subcomissário Gonçalves Pereira foi transferido para a Divisão da PSP no Aeroporto de Lisboa "a seu pedido".

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