Qualidade da areia nas praias não é analisada
A qualidade da areia das praias portuguesas não é analisada, apesar de existir um projecto científico nesta área desenvolvido pela Associação da Bandeira Azul Portuguesa (ABAE) em parceria com organismos públicas, alertou hoje aquela instituição.
Conscientes de que "as areias das praias são uma fonte de contágio de microorganismos patogénicos", a ABAE desenvolveu um estudo que definiu "métodos eficazes para analisar a areia", afirmou hoje o presidente da ABAE portuguesa, José Archer.
Actualmente, a areia das praias é avaliada tendo em conta apenas se foram ou não alvo de limpezas regulares. Algumas autarquias fazem uma desinfecção mas, segundo a ABAE, esta é uma "prática desaconselhável", já que "não só mata tudo o que é mau, mas também tudo o que é bom".
"A ABAE entregou um conjunto de recomendações para as entidades gestoras das praias, em particular autarquias e concessionários, no que respeita à adopção de métodos adequados de gestão das zonas balneares para a promoção de uma boa qualidade das areias das praias, com realce para a sua qualidade microbiológica", acrescentou José Archer.
Apesar de não existir legislação comunitária sobre a qualidade das areias das praias, a associação concluiu em 2003 um estudo científico pioneiro capaz de definir os parâmetros a seguir e os métodos a usar para as analisar.
Os responsáveis da ABAE garantem que o custo da análise idealizado pela associação "é perfeitamente exequível", uma vez que é necessário fazer apenas três análises por ano, "através de um processo semelhante ao que é feito para analisar a qualidade das águas".
José Archer criticou o Ministério do Ambiente por não aproveitar o trabalho realizado em parceria com o Instituto do Ambiente, Instituto Ricardo Jorge e o Instituto Nacional da Água.
"O Ministério do Ambiente nada fez até ao momento, pelo que a ABAE insiste nesta preocupação e na necessidade de Portugal considerar esta questão na qualidade das suas praias", afirmou o presidente da associação durante uma conferência de imprensa realizada hoje na Associação Naval de Lisboa.
"Tivemos a preocupação de fazer algo que o Estado deveria fazer. Portugal foi pioneiro no trabalho feito, mas não teve continuidade", lamentou José Archer.