Quase 90% dos jovens querem comprar casa mas 20% não têm salário

por RTP
Jose Manuel Ribeiro, Reuters

Em Portugal, 40,7% dos jovens com idades entre os 18 e os 34 anos ainda vive em casa dos pais. O estudo é da Century 21, que apurou que 80% dos jovens portugueses não vivem onde gostariam.

Apesar de 87,9% dos jovens portugueses ambicionar comprar casa, mais de 62% ganha menos de mil euros por mês e quase 20% não recebe qualquer tipo de rendimentos. Assim, com salários a diminuir e o valor das casas a aumentar, não é de admirar que a idade média da emancipação em Portugal esteja próxima dos 30 anos.

Mesmo os que já se emanciparam, 37% ainda depende da ajuda financeira da família para pagar as despesas ao final do mês.

Para além de estudar o mercado imobiliário, o inquérito “II Observatório do mercado da habitação em Portugal” também permitiu perceber as condições de vida precárias dos jovens portugueses. Em análise estiveram 800 jovens entre os 18 e os 34 anos, de várias zonas do país.

Segundo o estudo, aproximadamente 80% dos inquiridos não vive onde gostaria. Contudo, face à situação económica atual, não há possibilidade de alterar esta realidade.

A maioria dos jovens admitem querer começar por arrendar casa, mas asseguram que este é um plano só de passagem e não o destino para o futuro. Ao imaginarem-se 5 ou 8 anos depois, apenas 12,1% dos jovens se veem a habitar numa casa arrendada.

Apesar da era tecnológica em que cresceram, os millenials são uma geração com valores e projetos de vida semelhantes aos das gerações anteriores. Verificou-se que ainda há muitos jovens de 18 anos que olham para a emancipação como o momento de casar e ter filhos. Contudo, esse é um sonho distante, pois 55,7% ainda depende financeiramente da família.

O objetivo dos jovens é obter estabilidade. Porém, segundo Ricardo Sousa, CEO da Century 21 em Portugal, em entrevista ao Diário de Notícias, existe “um gap” entre aquilo que os jovens “gostariam de ter e o que é, de facto, possível".

Face a esta realidade desajustada, a solução passa por sair do centro das áreas metropolitanas e procurar nos subúrbios uma oferta que se adapte ao bolso dos portugueses.
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