Quase metade dos alunos do 9.º ano com negativa a Matemática

Quarenta e oito por cento dos alunos tiveram negativa no exame nacional de Matemática do ensino básico, o que deixou a Sociedade Portuguesa da disciplina apreensiva porque “o nível da prova do 9.º ano ainda não está no grau de exigência que consideramos aceitável ao fim de nove anos de estudos obrigatórios”. É um resultado pior do que o do ano passado, quando foram tinham sido registadas 36,2 por cento provas negativas. Os resultados das provas de Língua Portuguesa são equivalentes aos de 2009.

RTP /

A quebra nos resultados nos exames nacionais de Matemática registou-se em todos os níveis de classificação, com ênfase para a duplicação das notas mais baixas - nível 1 numa escala até cinco. Este ano, 9,5 por cento dos alunos tiveram 1, enquanto no ano passado foram 4 por cento, revela o Ministério da Educação.

Também aumentaram as notas de nível 2, em comparação com os resultados do ano passado. Trinta e nove por cento dos alunos tiveram exames negativos de nível 2, enquanto em 2009 eram 32,2 por cento.

Mais de 51 por cento dos alunos obtiveram notas positivas, com exames entre os níveis 3 e 5. No ano passado, foram mais de 63 por cento aqueles que se situaram nestes níveis.

Desceu o número de alunos com classificações de 4 e 5. Em 2009 eram 25 por cento os que realizaram exames de Matemática de nível 4, enquanto este ano foram 20 por cento.

A percentagem de alunos com a classificação de nível 5 também caiu, de 7,2 para 5,4 por cento.

A primeira chamada do exame do ensino básico foi realizada por 88.846 alunos e a segunda chamada por 360.

Os resultados da Língua Portuguesa são semelhantes aos do ano passado, com 69,6 por cento dos alunos com nota positiva em 2010 e 69,9 por cento em 2009.

O exame de Língua Portuguesa do ensino básico foi realizado por 87.959 alunos.

Sociedade Portuguesa de Matemática preocupada

A Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) reagiu, dizendo-se preocupada com o facto de o número de negativas aumentar na realização de uma prova que está aquém do grau de exigência que consideram adequado.

"Ficamos bastante preocupados, porque continuamos a achar que o nível da prova do 9. ano ainda não está no grau de exigência que consideramos aceitável ao fim de nove anos de estudos obrigatórios e mesmo assim temos cerca de 50 por cento dos alunos a reprovar na prova", declarou o presidente da SPM, Miguel Abreu.

Após a realização da prova, a SPM havia notado que o enunciado deste ano foi ligeiramente superior a 2009 e disse ter esperança que não se verifiquem facilitismos no próximo ano para melhorar as classificações. "Se no próximo ano tivermos outra vez uma prova muito mais fácil para que as taxas de aprovação recuperem desta descida que tiveram este ano, vamos estar outra vez a caminhar no sentido negativo e isto seria péssimo", avisou o recém-eleito presidente da SPM.

"Deu-se um passo positivo. A prova do 9.º ano melhorou, do ponto de vista do grau de exigência e caminha na direcção certa. Há que manter esse passo, independentemente de os resultados poderem piorar porque é com os standards bem estabelecidos que todos os alunos, professores e todo o sistema do ensino básico saberão qual é o patamar de exigência necessário e é com esse objectivo que continuarão a trabalhar", defendeu Miguel Abreu.

"Se no próximo ano tivermos outra vez uma prova muito mais fácil para que as taxas de aprovação recuperem desta descida que tiveram este ano, vamos estar outra vez a caminhar no sentido negativo e isto seria péssimo", advertiu e recém-eleito presidente da SPM.

O responsável acrescentou que os resultados não surpreendem "porque, como temos vindo a alertar, a maneira como está a ser feito o ensino da Matemática (no básico e secundário) não é a mais adequada".

Ainda de acordo com Miguel Abreu, os resultados acabam sempre por ser mais negativos sempre que a prova "melhora um bocadinho o nível de exigência" em relação ao ano anterior.

O representante da SPM considerou ainda que o Plano de Acção para a Matemática, uma das bandeiras da anterior ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, "não estará a dar grandes resultados".

A SPM nota que a prova de 2010 apresentava conteúdos considerados fundamentais no programa de Matemática do 3. Ciclo, mas que há alguns anos não eram avaliados em exame, como os sistemas de equações e as inequações. "Há tantos anos que não aparecia este tipo de problemas que os alunos se calhar não se preparam convenientemente nesta parte da matéria, mas só dados mais completos sobre os resultados que esses itens tiveram poderão confirmar", disse ainda Miguel Abreu.

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