Queda de palmeira deixa Porto Santo "em choque"
A queda de uma palmeira em Porto Santo, durante um comício do PSD da Madeira, causou a morte de uma mulher de 61 anos, residente no Funchal, e ferimentos graves a um casal do Continente, mãe e filho, de 44 e 25 anos, respectivamente. O presidente da autarquia local já requereu a abertura de um inquérito. O município, afirmou Roberto Cardoso da Silva, “está em estado de choque com o que se passou”.
A vítima de 61 anos, que residia na freguesia de Santa Luzia, no Funchal, ainda foi retirada do local com vida, acabando por morrer no Centro de Saúde da cidade. Outras duas pessoas, um casal do Continente composto por mãe e filho, sofreram graves traumatismos do foro ortopédico, tendo sido levados para o Hospital Doutor Nélio Mendonça, no Funchal, a bordo de um aparelho da Força Aérea.
A queda da palmeira aconteceu nos primeiros instantes do comício de Verão do PSD da Madeira. O evento seria cancelado pelo líder regional do partido, "por respeito com as pessoas que sofreram o acidente" e "respectivas famílias". Aplaudido pelas pessoas presentes, Alberto João Jardim disse mesmo que "2010 é um ano em que os madeirenses têm que ir à bruxa". "Com tudo o que vem sucedendo no arquipélago", lançou o presidente do Governo Regional, "rezem para que este ano passe depressa".
"Todos em estado de choque"
O presidente da Câmara do Porto Santo, que já pediu a abertura de um inquérito "às entidades competentes", prometeu também ordenar "uma peritagem às restantes palmeiras da cidade". Questionado sobre o estado de conservação das palmeiras, Roberto Cardoso da Silva argumentou ser "muito prematuro" adiantar "seja o que for".
"Vamos aguardar pelo inquérito para ver qual é a situação e o que daí vai advir", reagiu o autarca, sem deixar de sublinhar que "a queda se verifica não no sentido da inclinação que tinha a palmeira, existindo outras árvores com a mesma inclinação".
"Neste momento, estamos todos em estado de choque com o que se passou. Pessoalmente, lamento esta situação. Vamos aguardar pelo dia de amanhã e ver o que é que podemos fazer", afirmou ainda Roberto Cardoso da Silva, ouvido pela rádio TSF. O presidente da Câmara do Porto Santo garante que o Largo das Palmeiras vai ser reformulado.
Prognóstico "muito reservado"De acordo com o director do Hospital Doutor Nélio Mendonça, Miguel Ferreira, a mulher e o homem que ficaram feridos na sequência da queda da palmeira têm um prognóstico clínico "muito reservado", uma vez que apresentam "traumatismos graves", designadamente "fracturas torácicas, na bacia e nos membros inferiores".
"Ainda é muito cedo para podermos avaliar na totalidade o tipo de procedimentos que irão ser feitos. Ambos estão a ser acompanhados pelas equipas de ortopedia, mas são situações com prognóstico ainda muito, muito reservado", indicou o responsável, em declarações citadas pela agência Lusa. "Ambos foram intervencionados durante a noite pela equipa de ortopedia. Neste momento, o jovem de vinte e poucos anos está nos Cuidados Intensivos e a senhora está na Unidade de Recobro do Bloco Operatório", explicava esta manhã Miguel Ferreira.
Logo após a queda da palmeira, os feridos foram assistidos no local por um ortopedista, Marcelino Andrade, e pelo cardiologista Almada Cardoso, presidente do Conselho de Administração do Serviço Regional de Saúde, com o apoio de vários enfermeiros e elementos da corporação de bombeiros de Porto Santo.