Quercus acusa Vicaima de ter madeira de empresas multadas
O vice-presidente da Quercus Luís Galrão disse hoje aos jornalistas ter sido fotografada madeira na empresa Vicaima, em Vale de Cambra, fornecida por empresas que estiveram envolvidas no abate ilegal de árvores.
Luís Galrão falava no final da audiência do julgamento de nove activistas do Greenpeace, por alegada invasão de propriedade privada quando se acorrentaram, em 29 de Março, à entrada da fábrica da Vicaima, em Vale de Cambra, num protesto contra o abate de árvores na Amazónia.
Segundo Luís Galrão, foi fotografada no parque de madeiras da Vicaima Indústria madeira de três fornecedores que, em 2004, estiveram envolvidos no abate ilegal de árvores, dois dos quais foram por isso multados.
Luís Galrão tinha acabado de depor no Tribunal de Vale de Cambra, como testemunha arrolada pela defesa dos nove activistas do Greenpeace, que procurou demonstrar que o protesto foi feito do lado de fora da vedação da fábrica.
Leonor Pinto, a advogada que representou os activistas do Greenpeace, ausentes do julgamento, lembrou a existência no local de uma máquina Multibanco, acessível por toda a gente - o que significaria que o local era de acesso público -, e realçou os propósitos nobres da acção dos ambientalistas, chamar a atenção para a necessidade de uma boa gestão florestal, como factor atenuante de uma eventual pena.
Para o Ministério Público e para a acusação, os activistas devem ser condenados porque estavam em local que é propriedade da Vicaima, necessitando por isso de autorização do proprietário que não tinham, e foram detidos em flagrante delito.
Jorge Tavares de Almeida, advogado da Vicaima, pretendeu nas alegações demonstrar até que os actos corresponderiam a mais do que uma infracção.
Segundo aquele causídico, os activistas do Greenpeace, além de atentarem contra o direito à propriedade, tiveram a intenção de provocar dano à empresa e puseram em causa a honra e dignidade da Vicaima com as faixas que ostentavam.
Tavares de Almeida insistiu ainda nas alegações para que fosse fixada uma indemnização provisória na sentença do processo sumário, apesar da juíza já ter indeferido o requerimento que apresentou nesse sentido.
A leitura da sentença foi fixada para o dia 26 de Abril, às 14:00, no Tribunal de Vale de Cambra.