Quercus diz que morte de aves na Moita pode repetir-se e recomenda análise a algas

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A associação ambiental Quercus referiu hoje que o botulismo que terá causado a morte de aves na Moita poderá repetir-se e explicou que a bactéria se pode associar a outros organismos, recomendando que as algas sejam analisadas.

"A mortalidade de avifauna selvagem por botulismo é um assunto há muito conhecido. Nas zonas húmidas, verificou-se que a bactéria C. botulinum, causadora da doença, pode associar-se com organismos não afetados por toxinas - incluindo algas, plantas e invertebrados - em que parece germinar e permanecer na forma vegetativa por longos períodos de tempo", explicou a Quercus em comunicado.

A Câmara Municipal da Moita admitiu na quarta-feira que o botulismo terá sido a causa de morte de vários exemplares de aves que ocorreram na confluência do rio da Moita com a caldeira da Moita em julho.

"A Câmara Municipal da Moita procurou conhecer as causas deste incidente junto das entidades competentes e a informação técnica do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas indica tratar-se de botulismo, uma doença de natureza tóxica que decorre da ingestão de uma toxina e que é agravada pelas condições meteorológicas, como o calor e seca, que se arrastam há vários meses", referiu a autarquia, liderada por Rui Garcia (PCP), em comunicado.

A Câmara da Moita esclareceu ainda que a "toxina em causa afeta somente as aves, não constituindo risco para as pessoas".

A associação ambiental explicou que depois da mortalidade de aves ocorrida em julho na caldeira da Moita, outros patos-reais selvagens e gaivotas já regressaram ao local, salientando que nos últimos dias têm sido observadas "manchas de algas superficiais".

"O crescimento de algas em águas paradas é típico de condições de eutrofização, excesso de nutrientes normalmente associados a efluentes urbanos e agropecuários. As algas em si não são perigosas, mas se a bactéria C. botulinum se associar a essas algas, ou mesmo se permanecer no solo ou em plantas das margens, a Moita poderá assistir novamente a um surto de botulismo que atinja mortalmente a fauna selvagem", acrescentou.

A Quercus defendeu ainda que, mesmo que a "toxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, que ataca as aves (tipo C e tipo E), não seja do mesmo tipo que a toxina que causa botulismo nas pessoas (A ou B), é necessária precaução e as pessoas não devem tocar nas aves mortas".

"A Quercus recomenda a identificação das algas e a averiguação da eventual presença de C. botulinum nas mesmas e caso se comprove, a retirada imediata desse material algal. Sendo um espaço gerido por uma comporta, durante o tempo quente deverá renovar-se o mais possível as suas águas, para as manter com a maior oxigenação possível. A médio prazo, o município deverá estudar formas de evitar a eutrofização na caldeira e efetuar análises frequentes às águas do rio/vala da Moita", concluiu.

 

 

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