Racionamento de combustíveis? "Estou um pouco pessimista e as reservas estão a esgotar-se", afirma responsável pelas empresas de combustíveis

Racionamento de combustíveis? "Estou um pouco pessimista e as reservas estão a esgotar-se", afirma responsável pelas empresas de combustíveis

"Tínhamos reservas excecionalmente altas no início da guerra no Irão. Essas reservas estão neste momento a níveis excecionalmente baixos. Estivemos a consumir as poupanças. Temo que essas almofadas estão a esgotar-se".

Andreia Brito, Frederico Moreno - RTP Antena 1 /

Fotografias: Jorge Carmona

O alerta é dado por António Comprido no programa da RTP Antena 1 Consulta Pública. Questionado sobre a eventualidade de ser necessário um racionamento dos combustíveis, o presidente da EPCOL (Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes) afirma que "não estou muito otimista. Não vejo com muito otimismo o que se irá passar nos próximos meses" porque, para além de ver as reservas de gasóleo e gasolina a baixarem, não vê fim à vista para a guerra entre EUA e Irão.

"Primeiro não sabemos quando vai acabar, a imprevisibilidade é total. Segundo já causou danos que vão demorar meses a reparar porque destruir um oleoduto, destruir instalações portuárias, danificar uma refinaria não é algo que se consiga resolver em dias, isto vai demorar meses", avisa.

"Estou um pouco pessimista. Temo que a prolongar-se muito mais a situação, poderemos deixar de ter as tais almofadas que permitiram amortecer o choque", acrescenta o presidente da EPCOL.

Por tudo isso defende que, no que diz respeito ao gasóleo e à gasolina, "em última análise pode levar à necessidade de alguns ajustamentos do lado da procura". Ainda assim "neste momento, não antevemos qualquer dificuldade para os próximos meses: as refinarias conseguem ir buscar crude a outras regiões que não o Médio Oriente".

Já no caso do jet fuel "poderá (espero que não), mas poderá ser um dos produtos - não digo que vá faltar - mas poderá apresentar algumas limitações a médio prazo e não imediato", refere António Comprido. 
Aumentos no preço da eletricidade? "Poderemos ter"

Se aumenta o preço do gás, é expectável o aumento do preço da eletricidade. A ideia é passada por Nuno Ribeiro da Silva.

O presidente do Conselho Consultivo da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) relembra que existe "alguma pressão resultante do gás natural".

"As centrais que queimam gás natural, são elas que definem o preço grossista da eletricidade. E se o preço do gás natural, que é queimado nessas centrais, aumenta, aumenta o custo médio de produção de eletricidade", esclarece.

Questionado pelo jornalista Frederico Moreno no programa Consulta Pública sobre se é expectável que existam novos aumentos no preço da eletricidade, Nuno Ribeiro da Silva refere que "poderemos ter, aí poderemos ter. A questão do gás é uma questão critica".

Apesar de, no caso do gás natural, não reconhecer uma escassez física, adianta que esse recurso energético "está sob maior pressão do que os derivados do petróleo".

O presidente do Conselho Consultivo da ERSE também não vê "razões para haver limites resultantes de uma escassez física de petróleo e seus derivados".

Sobre a recomendação da Comissão Europeia para que os Estados-membros reduzam o consumo de energia, o representante da ERSE entende que "é razoável dizer «vejam lá como estão a consumir, vejam se podem otimizar os vossos consumos», mas não pondo isso numa perspetiva de que nos vamos confrontar com uma falta física".

"Ponderarmos um consumo mais racional, mais eficiente isso traz menor consumo em termos globais e dado que a União Europeia é fortemente dependente em termos de importação de matérias-primas energéticas, isso contribui para mitigar a vulnerabilidade que temos relativamente ao tema energético", explica.
No que diz respeito aos combustíveis, "vamos ter impacto nos preços. Agora chegar a uma situação em que temos de ir para a fila da bomba da gasolina à espera que chegue o último carregamento de gasóleo ou de gasolina, não é um cenário que esteja no horizonte", garante.

O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.
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