Reabilitação das Minas de Jales em Vila Pouca de Aguiar concluída em três meses
A reabilitação das minas de Jales, em Vila Pouca de Aguiar, deverá estar concluída dentro de três meses, com a construção de uma estação de tratamento de efluentes, anunciou hoje a Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM).
Sexta-feira decorre a consignação da obra de tratamento de efluentes da mina de Jales à empresa MT3 - Engenharia e Obras, que deverá construir uma estação de tratamento no prazo de três meses.
"Com a conclusão desta obra termina o processo de recuperação das minas de Jales", disse hoje à agência Lusa José Martins, da Empresa de Desenvolvimento Mineiro (EDM), concessionária do serviço público de recuperação ambiental das áreas mineiras degradadas.
A construção desta estação de tratamento representa um investimento de 405 mil euros, comparticipados pelo Programa Operacional do Ambiente.
As minas de Jales inserem-se numa região aurífera extensivamente trabalhada pelos romanos durante os séculos I e II da era cristã, tendo a exploração mineira sido retomada no início da década de 1930.
O Complexo Mineiro de Campo de Jales encerrou em 1992 e, anos depois do seu abandono, as populações locais começaram a alertar para os problemas que persistiam, tanto em termos ambientais, como da saúde das próprias populações.
Em 2001 os ministérios do Ambiente e da Economia desenvolveram um plano conjunto que visava a reabilitação das minas de Jales e que integrava um projecto nacional para a recuperação ambiental de áreas mineiras degradadas.
A reabilitação ambiental das áreas mineiras degradadas envolveu um investimento de 50 milhões de euros, dos quais quatro milhões de euros foram gastos com a recuperação das minas de Jales.
Os principais perigos que a mina representava estavam relacionados com as escombreiras (local onde se acumulam as partes não aproveitáveis do minério), designadamente 300 milhões de metros cúbicos de inertes, que abrangiam uma área de oito hectares.
As escombreiras apresentavam uma elevada acidez, falta de nutrientes e uma elevada toxicidade em metais pesados e metalóides (arsénio, chumbo, cádmio, zinco e prata).
Os taludes encontravam-se altamente degradados, com ângulos superiores a 40 graus de inclinação e as chuvas intensas aumentavam o risco de desmoronamento, o que poderia provocar o arrastamento de maior quantidade de sedimento e lixiviado para as águas.
O projecto de reabilitação das escombreiras incidiu na sua impermeabilização, ou seja, a sua selagem para que o pó não escorra.