Reações. TAP, uma nova vida

por Mário Aleixo - RTP
A TAP tem novas asas para voar Mário Cruz - Lusa

O acordo entre Governo e privados que permite dar um novo fôlego à Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) cria um novo espetro de situações e reações que surgem na primeira linha do primeiro dia do resto da vida da empresa.

O ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, recusou assumir um cenário de despedimentos na TAP no âmbito do processo de reestruturação da companhia aérea.

Inevitabilidades não as assumo. Não faz sentido estar a assumir cenários que decorrerão de um plano de reestruturação”, precisou o ministro quando questionado sobre a possibilidade de a reestruturação da empresa implicar redução do número de trabalhadores.

Falando na conferência de imprensa em que foi anunciado o acordo com os acionistas privados da TAP, que vai traduzir-se na saída do David Neeleman e no reforço da posição acionista do Estado de 50 para 72,5 por cento, o ministro afirmou que “há várias soluções”, pelo que “não precisamos nesta fase de assumir inevitabilidades que decorrerão de uma negociação” que vai ainda ser feita.
Sitava pede rápida retoma da operação da companhia
O Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (Sitava) informou estar satisfeito com a solução encontrada para a TAP e pede a rápida retoma da operação da companhia, que considera já estar "atrasada".

"A solução agora encontrada vem ao encontro daquilo que sempre exigimos, ou seja, veio devolver ao Estado português o controlo público da gestão de que nunca deveria ter abdicado", acentua o Sitava, em comunicado.

O acordo prevê que o Estado fique com 72,5 por cento do capital da companhia aérea, por 55 milhões de euros, com a aquisição da participação (de 22,5 por cento) até agora detida por David Neeleman. O empresário Humberto Pedrosa detém 22,5 por cento e os trabalhadores os restantes cinco por cento.

Na nota divulgada, a estrutura sindical acrescenta aguardar que a atividade seja retomada, face aos "efeitos devastadores da paragem quase total da frota", devido à pandemia provocada pela Covid-19, e que se garanta uma TAP "robusta".

"O que esperamos agora é que se inicie rapidamente a retoma da operação que já está atrasada, e que o acionista Estado honre os seus compromissos de reconstruir uma TAP robusta, que sirva o país, e com a capacidade necessária para manter o setor do turismo no mínimo com a atual dimensão", realça.
Presidente executivo cessa funções de imediato
O ministro Pedro Nuno santos, anunciou que o atual presidente da Comissão Executiva da TAP, Antonoaldo Neves, vai ser substituído “de imediato”, sem revelar quem lhe sucede.

Ao dia de hoje não temos resposta a todas essas questões [sobre a nova equipa de gestão da TAP], sobre quando teremos uma nova equipa e quando é que essa equipa de transição assumirá funções”, começou por referir o ministro, para precisar, no entanto, que o atual presidente executivo da companha aérea “terá de ser subsitituído".
David Neeleman foi importante para a companhia

O ministro deixou ainda uma palavra de reconhecimento ao empresário David Neeleman, que deixa agora a estrutura acionista da TAP, e considerou que a sua entrada na empresa “foi importante”.

Isto é indesmentível: a entrada de David Neeleman para a TAP foi importante para a TAP e, portanto, não queria aqui ser injusto mesmo que tenha havido divergências, não quero ser injusto com um acionista que nós tivemos, que percebe bastante do setor, que teve sucesso em vários pontos do globo e que deu um contributo muito importante à TAP e isso, nem no dia de hoje, pode ser esquecido”, afirmou Pedro Nuno Santos.
Empresa não vai contar para as contas públicas
O reforço da posição acionista do Estado na TAP não vai pesar nas contas públicas, revelou o ministro das Finanças, assinalando que o impacto do empréstimo de 946 milhões de euros já foi assumido no Orçamento Suplementar.

O esclarecimento de João Leão sobre o impacto do reforço na TAP e da ajuda financeira à companhia no défice e na dívida pública foi feito durante a conferência de imprensa em que foi anunciado o acordo entre o Governo e os acionistas privados TAP.

Ao referir que há muitas "empresas públicas que não estão no perímetro das contas públicas", por terem uma natureza essencialmente mercantil, como os portos ou a Carris, João Leão sublinhou que também a TAP SA (a companhia área) tem uma natureza semelhante, pelo que "não vai integrar o perímetro das contas públicas".
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