Reaparecimento do cancro da mama custa 6.000 euros por paciente ao Estado

O reaparecimento de cancro da mama custa aos hospitais, por paciente, cerca de seis mil euros por ano, revela o primeiro estudo nacional sobre os custos desta doença, que defende uma aposta na prevenção.

Agência LUSA /

O estudo "Quanto custa tratar, em Portugal, uma mulher com cancro da ma ma recorrente", a apresentar hoje no âmbito do 11º Simpósio Nacional da Associação Portuguesa de Farmacêuticos Hospitalares, no Estoril, pretende identificar e caracterizar os recursos que os serviços de saúde gastam com o reaparecimento da doença, nomeadamente em consultas médicas, internamentos, meios complementares de diagnóstico e outras terapêuticas associadas.

Depois de analisarem uma amostra constituída por 79 mulheres, com uma média de idades de 62 anos, tratadas entre 2000 e 2004 no Instituto Português de Oncologia de Francisco Gentil, no Porto, e no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, os autores do estudo concluíram que o reaparecimento de um cancro da mama custa anualmente aos hospitais 5.886 euros por doente, um valor que é 3,7 vezes superior aos custos das terapias durante a primeira fase da doença.

Quando aparece pela primeira vez, segundo o estudo, o tratamento de um cancro da mama custa, em média, 1.582 euros, entre gastos com consultas, cirurgias, quimioterapias, radioterapias, hormonoterapias e outros medicamentos associados ao tratamento.

O processo de diagnóstico da doença custa cerca de 680 euros.

Feitas as contas, o tratamento de um cancro recorrente custa aos hospitais 12.452 euros a cada dois anos.

O estudo salienta que, na amostra estudada, a recorrência do cancro da mama esteve associada a um elevado consumo de recursos dos hospitais, concluindo que, além de salvar vidas, prevenir o reaparecimento da doença também poupa dinheiro ao Serviço Nacional de Saúde.

"Cerca de 40 por cento das mulheres com Cancro da Mama vêem o seu cancro reaparecer, num período de maior risco ao longo dos três primeiros anos após terem sido operadas, podendo nalguns casos progredir para outras partes do corpo (metastização)", o que afecta a qualidade e a esperança de vida, realçam os autores.

O ensaio regista ainda que a idade média em que o cancro aparece pela primeira vez é aos 58 anos e meio, enquanto a recorrência dá-se, em média, três anos depois.

Das recorrências, 83 por cento afectam outras partes do corpo, 13 por cento verificam-se a nível localizado e quatro por cento referem-se a ambas as situações.

Entre os reaparecimentos que afectam outras partes do corpo, em 61 por cento dos casos dão-se nos ossos, 16 por cento nos pulmões e outros 16 por cento afectam o fígado.

O estudo foi realizado por Luís Costa, investigador e oncologista em Santa Maria, por Evaristo Sanches, do IPO-Porto, e pelo economista Jorge Félix da Exigo Consulting.

Segundo dados estatísticos, todos os anos aparecem cerca de 4.000 novos casos de cancro da mama em Portugal, onde morrem 1.500 mulheres anualmente devido à doença.

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