Receitas dos jogos da Santa Casa cresceram 51% em 2005
As receitas dos jogos da Santa Casa de Lisboa cresceram 51 por cento em 2005, atingindo um montante recorde de 1.532 milhões de euros, contra os 1.014 milhões obtidos no ano anterior, anunciou hoje a instituição.
Pelo segundo ano consecutivo, a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) registou em 2005 um resultado líquido de 57,8 milhões de euros, mas teve um decréscimo de 18 por cento face ao ano anterior (70,7 milhões de euros).
Em 2005, o activo líquido da Santa Casa ascendia a 393,86 milhões de euros, um crescimento de 66 por cento em relação a 31 de Dezembro de 2004.
Os capitais próprios da instituição cresceram 29 por cento, situando-se nos 254,92 milhões de euros.
Segundo os números divulgados hoje em conferência de imprensa, os resultados líquidos das receitas dos jogos a distribuir pelas entidades e instituições beneficiárias foram de 581,45 milhões de euros, representando um incremento de 65 por cento em relação ao ano anterior.
O total de prémios distribuídos pelo conjunto dos jogos geridos pela Santa Casa ascendeu a 793,23 milhões de euros, mais 264,63 milhões que no ano anterior.
Para o provedor da SCML, Rui Cunha, 2005 "foi um ano excepcional, resultante do primeiro ano de vendas do Euromilhões", cujas receitas alcançarem os 921,93 milhões de euros.
Estas receitas permitiram distribuir 460,98 milhões de euros em prémios e 373,22 milhões de resultados líquidos.
O Euromilhões influenciou o comportamento dos restantes jogos da Santa Casa, nomeadamente os lotos (Totobola, Lote 2 e Joker) que registaram em 2005 uma quebra de 35 por cento nas vendas.
Contudo, o Totoloto foi o jogo mais rentável na carteira dos jogos com uma rendibilidade de 40 por cento em 2005 contra 37,6 por cento no ano anterior.
No conjunto, as apostas mútuas nacionais geraram receitas de 427 milhões de euros, contra 656 milhões em 2004.
Em declarações aos jornalistas no final da apresentação dos resultados de 2005 da Santa Casa, Rui Cunha afirmou que os lucros se devem ao Euromilhões que "cresceu sempre exponencialmente, ultrapassando em muito o que se previa".
"Os resultados são bons, mas não podemos embandeirar em arco porque temos de ter a perspectiva de uma gestão sólida a médio e a longo prazo", afirmou o provedor.
Rui Cunha salientou que os jogos são a principal receita da Santa Casa (cerca de 80 por cento das receitas), mas são "flutuantes" e "nem sempre produzem as mesmas receitas e dão os mesmo proveitos".
"Temos de ter uma gestão equilibrada não só na gestão do património, mas também em encontrar novos jogos, novos parceiros", adiantou o provedor.
Nesse sentido, a Santa Casa está a estudar com parceiros europeus a hipótese de criar um novo jogo baseado nos jogos da Liga dos Campeões que deverá ser lançado em Setembro ou Outubro e terá como nome "Liga dos Campeões".
Segundo o provedor, este jogo poderá ditar a morte do Totobola, cujas receitas registaram um ligeiro decréscimo de 4,6 por cento em 2005, face ao ano anterior que registou 9,94 milhões.
Rui Cunha anunciou ainda a mudança do método de distribuição de receitas que entrou em vigor este ano.
Até agora quem beneficiava das receitas do Totobola estava em desvantagem em relação a quem beneficiava do Euromilhões. "Neste momento vão estar na mesma situação, uma vez que todas as receitas dos jogos entram no mesmo bolo que será distribuído por todos os beneficiários", explicou.
Os proveitos da Santa casa atingiram no ano passado os 312,34 milhões de euros, dos quais 251 milhões (82 por cento) foram provenientes das receitas dos jogos.