Reconstrução do Hospital Conde Ferreira custará mais de 10 milhões

A reconstrução do antigo Hospital Conde Ferreira vai custar mais de 10 milhões de euros, anunciou hoje a Santa Casa da Misericórdia do Porto (SCMP), que pretende criar neste edifício um centro multidisciplinar de saúde.

Agência LUSA /

Tradicionalmente vocacionado para doenças de foro psiquiátrico, o Centro Hospitalar Conde Ferreira passará a integrar também o apoio à toxicodependência e o acompanhamento de doentes infectados com o vírus HIV.

"Esta unidade hospitalar terá não só uma missão clínica, mas também, e sobretudo, uma missão social" frisou o provedor da SCMP.

Em 2001, graças a um acordo com o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o "Conde Ferreira" passou a ser gerido pela SCMP e a maior parte dos funcionários da instituição foi transferido para o Hospital Magalhães Lemos.

Conforme explicou o provedor José Guimarães dos Santos, a reconstrução do antigo edifício, "que estava em risco de ruína", terá um custo global de cerca de 10 milhões de euros, estando já garantidos pelo Estado dois milhões.

Para a restante verba, a SCMP pretende apostar em parcerias com outras entidades que assegurem as obras de adaptação, remodelação e melhoria das instalações desgastadas pelo tempo.

Guimarães dos Santos falava hoje aos jornalistas na apresentação do projecto da SCMP para a construção do novo hospital de Loures.

"A SCMP encontrou no Conde Ferreira um hospital abandonado e com cerca de 300 doentes crónicos (sem laços familiares ou sociais) internados e por isso tudo fizemos para lhes dar dignidade e garantir condições mínimas de funcionamento", disse.

Actualmente o Centro Hospitalar Conde Ferreira, cujas obras de beneficiação já estão em curso, tem internadas 280 pessoas e foi uma das instituições utilizadas pela Câmara Municipal do Porto para assegurar o projecto de reinserção social e combate à toxicodependência "Porto Feliz".

O programa tem por base um conjunto de protocolos de colaboração entre a FDSP e várias instituições, como o Centro Hospital Conde Ferreira, hospitais Joaquim Urbano e São João, Administração Regional de Saúde do Norte e as faculdades de Direito e Psicologia da Universidade do Porto.

A Santa Casa prevê também integrar nos serviços do "Conde Ferreira" uma rede de serviços continuados, para apoiar os "doentes de evolução prolongada", pacientes cujo tratamento prescrito prevê um internamento prolongado.

"O objectivo é expandir os serviços do hospital e actuar em áreas da saúde, onde em Portugal existem lacunas graves", explicou Guimarães dos Santos, admitindo que as obras possam demorar algum tempo.

"É que a área do hospital é imensa. São cerca de 12 campos de futebol [aproximadamente 12 hectares] entre o edifício em si, área livre e quinta", concluiu.

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