Região do Douro ainda precisa dos fundos de coesão mas está pronta para se candidatar a novos fundos, mais competitivos

Região do Douro ainda precisa dos fundos de coesão mas está pronta para se candidatar a novos fundos, mais competitivos

Há 25 anos o Alto Douro Vinhateiro era reconhecido como património da humanidade pela Unesco.

Andrea Neves, RTP Antena 1 Bruxelas / Adicionar como fonte informativa
Tony da Silva

Há 25 anos o Alto Douro Vinhateiro era reconhecido como património da humanidade pela Unesco. Celebra-se claro, mas a comunidade intermunicipal da região, reconhecendo o orgulho, admite a necessidade de pensar no futuro como refere João Gonçalves Presidente desta comunidade.

“Vimos aqui principalmente sinalizar uma data importante, que são 25 anos do reconhecimento da Unesco do Alto Douro Vinhateiro com o património da humanidade, com a paisagem viva, cultural e evolutiva. E obviamente que quando são 25 anos, todos os anos fazem balanços, mas aos 25 é obrigatório termos um olhar retrospetivo, mas também olharmos para a frente, que eu acho que é o mais importante”.

“Normalmente olhamos para o passado com orgulho das coisas boas que aconteceram, mas também reconhecemos que há coisas que precisam de ser melhoradas para que ao longo dos próximos anos o Douro também evolua e principalmente proporcione um olhar diferente sobre os indícios de desenvolvimento e sobre a atratividade da região, do território, para fixar população, porque onde não há economia também não haverá população” refere o Presidente da CIM Douro.
 
“E se não houver população, este tesouro que é o Alto Douro Vinhateiro não terá futuro. E nós queremos que ele tenha futuro, como é evidente”.

João Gonçalves diz que a região ainda precisa dos fundos que chegam das políticas clássicas da União Europeia e por isso admite alguma preocupação com a discussão do próximo orçamento comunitário e de eventuais cortes nas verbas dessas políticas.

“Ainda precisamos muito dos fundos de coesão e por isso mesmo também viemos aqui mostrar a nossa preocupação pelas dificuldades que se anteveem neste processo negocial do próximo quadro financeiro anual, não só dos fundos de coesão, mas também os fundos para agricultura, que são essenciais para uma região tão importante, onde a agricultura é tão importante como no Douro. Mas também, como disse, devemos olhar para outras formas de participar e de poder obter fundos na União Europeia, que é a competitividade. E se nós queremos que a região tenha um desenvolvimento sustentável e que nos permita olhar com otimismo para o futuro, temos obrigatoriamente que nos preparar”.

Mas é essencial pensar no futuro e nos fundos de competitividade que vão chegar a partir de 2027.
 
“E da nossa parte, da comunidade intermunicipal, é isso que estamos a tentar fazer, gizar um plano estratégico de desenvolvimento para uma década e que esse plano, essa estratégia, possa depois ter acolhimento com instrumentos financeiros ao dispor de todos os agentes do território para que isso possa ser uma realidade” refere o Presidente da CIM Douro.

É isso que pretendemos com o sinal para o futuro, nós temos algumas competências, mas a nossa principal competência, julgo eu, com a responsabilidade política que temos, é de sermos catalisadores do desenvolvimento da região e de agregadores dos diversos agentes do território. E esses agentes têm de estar todos incluídos, seja o setor empresarial, seja a sociedade de conhecimento, as universidades, sejam representantes de outras entidades importantes no território, todos têm que, no fundo, dar o seu contributo para que possamos ter um rumo conveniente e que nos possa levar ao tal desenvolvimento mais sustentado”.
 
Nesta Semana das Regiões em Bruxelas é tempo de trocar experiências e dar a conhecer o que cada região tem de melhor para chamar e potenciar investimentos.

A CIM Douro tem uma representação permanente em Bruxelas. João Gonçalves diz que foi uma boa decisão criá-la há cerca de 3 anos.

“Nós sentimos essa necessidade há algum e passados dois anos e meio, cerca de três anos, de termos representação permanente aqui, junto com as instâncias da União Europeia, sentimos que temos um olhar diferente sobre a forma de podermos ter acesso a esses fundos”.

“Em Portugal, sem este olhar, aqui em Bruxelas, ficamos muito reduzidos, muito espartilhados, principalmente aos fundos que derivam dos programas operacionais regionais e temáticos. E aqui temos a oportunidade não só de olhar para outro tipo de fundos, as quais se possam fazer candidaturas diretamente, mas principalmente com a perspetiva de trabalhar em rede. E esse é outro especto muito importante de termos representação aqui, é a possibilidade de olharmos para outros territórios como os nossos, com problemas comuns, e de procurarmos soluções para esses problemas”.

João Gonçalves apresenta um exemplo prático: "dou o exemplo prático da rede Polis, a maior rede europeia de transportes e mobilidade, à qual aderimos, e em boa hora, porque se trata de uma das nossas maiores preocupações dentro do território. Um território para ser competitivo, como o Douro, tem que ter mobilidade, os cidadãos têm que ter mobilidade, mobilidade confortável, em segurança e a preços compatíveis. E é isso que é um exemplo de coisas positivas que tiramos ao final deste tempo de representação permanente aqui”.

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