Região Intermunicipal de Leiria abre representação em Bruxelas

Região Intermunicipal de Leiria abre representação em Bruxelas

RTP / Adicionar como fonte informativa
Tony da Silva

É mais uma Região a decidir estar representadas em Bruxelas para poder estar mais perto do poder de decisão quando se sabe que o próximo Quadro Financeiro Plurianual vai ser mais competitivo e muitos dos fundos desta área vão ser atribuídos com base no mérito dos projetos.

Mas para isso vai ser necessário confirmar que fundos existem, quando estão disponíveis, com quem se deve dialogar para que os projetos possam ser apresentados de forma adequada.

Gonçalo Lopes, Vice-Presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria confirma à RTP Antena 1 que esse foi um dos motivos para esta decisão.

“Sim, os próximos desafios de financiamento comunitário obrigam a que as regiões equacionem outras maneiras de poder se articular com os fundos da União e, por isso, a presença em Bruxelas abre também possibilidades de encontrarmos novos parceiros, sobretudo naquelas áreas onde é necessário estabelecer redes, quer seja na lógica empresarial, quer seja na lógica universitária, de ensino superior”.
Mas Gonçalo Lopes que também é Presidente da Câmara Municipal de Leiria, admite que as tempestades que passaram pela região também ajudaram a perceber a importância da proximidade a Bruxelas.

“No discurso da União ficou bem claro, dentro das preocupações que hoje a Europa tem no contexto daquilo que é o novo enquadramento mundial, que as dinâmicas da proteção civil estão na ordem do dia devido às alterações climáticas e, portanto, existindo capacidade financeira para auxiliar os Estados-membros a tornarem-se mais resilientes, a nossa região tem como obrigação estar também na linha da frente, naquilo que são as oportunidades de financiamento.”

“E não só naquilo que foi o processo de reconstrução, de onde já tivemos apoio da Comissão Europeia”, refere Gonçalo Lopes, “mas, sobretudo, preparar os equipamentos públicos e privados, numa nova geração de resiliência para aquilo que é as alterações climáticas”.

“Nós temos ainda muitas dificuldades em termos de infraestruturas públicas, o parque escolar da região ainda precisa de ficar completo – temos praticamente concluído, mas faltam ainda algumas escolas para ficarem recuperadas e, portanto, modernizadas. Há a lógica do ciclo urbano da água, não tanto para expansão, mas para substituição. São investimentos enorme. E também há uma preocupação naquilo que é o apoio às empresas. Hoje em dia vivemos uma crise económica, industrial, onde a energia é muito cara em todos os contextos e a nossa indústria precisa de ter acesso a apoios, sobretudo a financiamento, para poderem apostar em novas áreas industriais, como é o caso do setor da segurança, que é uma das apostas da União”.

Os municípios da Comunidade Intermunicipal de Coimbra dizem-se prontos para o Orçamento Competitivo mais competitivo.

“Sim, este é um dos grandes objetivos deste gabinete permanente, é encontrar essas linhas de apoio, sobretudo encontrar também os parceiros necessários, porque uma lógica de construir candidaturas em rede, juntamente com o ensino superior, com a inovação, e isso consegue-se também com esta facilidade de estarmos presentes em Bruxelas, próximo daquilo que é o Parlamento Europeu e também as políticas europeias”.

A crise e os fundos

Sendo a região de Leiria uma das que tem indústrias que mais utilizam energia intensiva, o Vice-presidente da Comunidade Intermunicipal considera que os fundos que possam ajudar a uma melhor autonomia e redução de custos é também fundamental.

“Nós somos uma das regiões mais dinâmicas em termos económicos, muito exportadora, muito dependente de energia, nomeadamente as cerâmicas, a indústria do vidro na Marinha é grande, portanto estamos a falar de setores muito abalados com aquilo que é a crise energética da Europa”. 

“Por isso também precisamos de encontrar soluções de energia alternativa, de encontrar financiamento para que haja mais produção de energia sustentável, e é também essa uma das área em que procuramos encontrar fundos de financiamento” refere Gonçalo Lopes.

“Tem sido feito muito em Portugal nesta área, nomeadamente com os parques fotovoltaicos, mas existem novas realidades, o biometano, o hidrogénio verde, pro exemplo, são áreas onde a nossa região tem vindo a desenvolver projetos, muitos deles com parceiros internacionais, investidores nesta área que vai ser decisiva para o nosso futuro”.
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