Reitor da Universidade de Coimbra afasta comportamentos desviantes da academia

Reitor da Universidade de Coimbra afasta comportamentos desviantes da academia

O reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, apelou hoje para que comportamentos desviantes, incluindo racismo, xenofobia e antissemitismo, sejam afastados da academia, e reiterou a importância de se defender a liberdade.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Coimbra é uma cidade universitária, na verdadeira aceção da palavra, onde até a classificação da UNESCO (Património da Humanidade) reconhece uma componente imaterial que inclui as tradições académicas. Peço por isso que os comportamentos desviantes (incluindo racismo, xenofobia e antissemitismo) não tenham espaço na nossa academia, porque apenas tendo uma atuação exemplar nos é concedida a autoridade moral para manter vivas as nossas tradições", disse hoje o reitor.

Amílcar Falcão falava na cerimónia de abertura solene das aulas do ano letivo 2026/27, a última nas funções de reitor, que contou com a intervenção do presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), José Machado, ficando a Oração de Sapiência a cargo de Maria Cristina Canavarro, professora catedrática da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação.

Na sua intervenção, Amílcar Falcão lembrou aos estudantes que "a liberdade tem de ser defendida todos os dias", salientando que "os valores da UC não se coadunam com comportamentos onde existe uma manifesta distorção do conceito de liberdade e de praxe".

O reitor destacou ainda os resultados do Concurso Nacional de Acesso (CNA), com a UC a registar uma taxa de ocupação de 98,4%, comparada com os 97,7% de 2019, num período em que o índice de atratividade passou de 1,15 para 1,27.

Ao nível da internacionalização, Amílcar Falcão disse que a instituição voltou a superar as melhores expectativas.

Apesar de considerar que não é tempo para balanço dos seus dois mandatos, Amílcar Falcão afirmou que sai do cargo, bem como as equipas reitorias que o acompanharam, "com a consciência de dever cumprido e de deixar como legado uma instituição mais forte" do que aquela que encontraram, notando que o desempenho da universidade tem sido muito positivo.

"Num tempo em que a concorrência prolifera, nunca a UC esteve tão forte como agora".

Entre as realizações e opções estratégicas nos últimos oito anos, apontou a recuperação do Paço das Escolas e as intervenções, concluídas ou em curso, em 11 dos 18 espaços classificados pela UNESCO, bem como na criação de condições compatíveis com as exigências de investigação e ensino.

Além da integração da Escola Superior de Enfermagem na UC, o reitor considerou que o Campus da Figueira da Foz assumiu um papel central no reconhecimento da Economia Azul como uma das áreas prioritárias de desenvolvimento.

Na área da investigação e inovação, salientou os financiamentos europeus obtidos e referiu que "hoje todas as Unidades Orgânicas da UC têm projetos europeus, coisa que há uns anos não acontecia", destacando a capacidade de captação de investimento.

"Entre 2019 e 2025, a UC registou uma trajetória global de forte crescimento da captação de financiamento competitivo para a investigação, passando de 27,3 milhões de euros (ME) de financiamento contratualizado em 2019 para 152,4 ME em 2025,correspondendo a um fator multiplicador superior a cinco", detalhou.

No discurso, Amílcar Falcão indicou que, entre 2018 e 2025, o orçamento aumentou de 185 milhões de euros (ME) para 272 ME, o saldo de gerência passou de 64,2 ME para 183 ME, apontando ainda aumentos em termos de resultado líquido acumulado e de ativo.

"Crescemos exponencialmente e preparámos a UC para ser verdadeiramente global. Não tenho dúvida de que a UC está preparada para os próximos largos anos. Entrámos noutro patamar e temos coletivamente de tomar consciência dessa condição", adiantou Amílcar Falcão.

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