Reitor da Universidade do Porto admite necessidade de rever critérios de seleção dos alunos

Porto, 29 fev (Lusa) -- O reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, admitiu hoje que os critérios de acesso ao ensino superior precisam de ser "revistos para se encontrar uma solução diferente" da atual.

Lusa /

"E podemos dizer isto com certeza absoluta, porque um estudo que fizemos sobre o percurso dos estudantes na Universidade do Porto mostrou que a correlação entre a classificação de entrada e a classificação que obtém na Universidade do Porto é quase nula", afirmou Marques dos Santos.

O reitor, que falava na cerimónia do Dia de Faculdade da Medicina da Universidade do Porto (FMUP), respondia a um apelo deixado pelo diretor da FMUP.

"Precisávamos que os jovens fossem escolhidos de outra maneira, que deixassem os dezanoves e os vintes e se privilegiasse o cidadão, assim como necessitávamos de um novo modelo de ensino e de um número de alunos mais reduzido para fazermos muito bem o nosso trabalho", disse Agostinho Marques, da FMUP.

O responsável afirmou que esta faculdade pratica um "ensino de compaixão", para que os alunos não sejam "meros técnicos de saúde, mas verdadeiramente médicos".

"É um modelo mal compreendido dentro de uma grande universidade que procura a eficiência, mas estamos tenazmente empenhados em mantê-lo", afirmou.

Marques dos Santos apontou ainda outros "dissabores", referindo-se à colaboração da Universidade do Porto na criação de um curso de medicina na Universidade de Aveiro.

"Maior agressão não conheço. Continuaremos a defender ferozmente o nosso modelo, vemos com muita desconfiança cursos de medicina de quatro anos", frisou.

O reitor Marques dos Santos preferiu não se pronunciar sobre esta questão, centrando-se apenas na questão do modelo de acesso ao ensino superior.

Baseando-se no estudo desenvolvido pela universidade que dirige, o reitor disse que "os alunos com notas superiores a 16 saem muitas vezes com médias de 13, 14 e que aparecem estudantes que entram com média de doze e obtêm classificações de 16 e 17".

O estudo mostra também que "a origem desses estudantes também não tem nada a ver com a sua carreira universitária" e que "apenas três por cento dos alunos da escola da região do Porto que contribui com mais estudantes para a Universidade do Porto entram no `top ten` da classificação ao fim de três anos".

"Significa que, com 150 alunos que entram, dessa escola, apenas um número marginal está, de facto, ao fim de três anos, com classificação elevada. Pelo contrário, verifica-se que escolas públicas com um número menos importante têm mais estudantes que chegam ao `top ten`", revelou.

Assim, entende o reitor da U.Porto, "há de facto que perceber o que é que estas classificações de entrada significam, não só para a Medicina, mas para todo as outras áreas".

O Dia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto integrou este ano uma homenagem ao professor Pinto Machado, a quem a Presidência da República decidiu atribuir, a título póstumo, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

A condecoração foi entregue à família de Pinto Machado pela chanceler das Ordens Nacionais, Manuela Ferreira Leite, em representação do Presidente da República.

A Ordem do Infante D. Henrique distingue quem tenha prestado "serviços relevantes a Portugal, no País e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa ou para conhecimento de Portugal, da sua História e dos seus valores".

Joaquim Pinto Machado foi médico, professor universitário e político, tendo exercido funções como deputado na Assembleia da República e ocupado os cargos de Secretário de Estado do Ensino Superior e de Governador de Macau.

O Dia da FMUP foi criado, em 1996, por Joaquim Pinto Machado, na altura, presidente do Conselho Diretivo da Faculdade.

 

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