Reitor da Universidade Lisboa saúda "posição honrosa" no ranking de Xangai
Lisboa, 15 ago (Lusa) -- O reitor da Universidade de Lisboa, Cruz Serra, mostrou-se hoje satisfeito com os resultados da instituição no ranking de Xangai, mas alertou para os perigos de começarem a descer na tabela devido aos consecutivos cortes no financiamento.
"A universidade de Lisboa apresenta este ano uma posição muito honrosa no ranking de Xangai, que é o principal e mais reconhecido ranking das universidades internacionais, aparecendo pela primeira vez uma universidade portuguesa na posição 200 a nível mundial", sublinhou Cruz Serra, acrescentando que a instituição que lidera está entre as 80 melhores a nível europeu.
A Universidade de Lisboa (UL) está entre as 250 melhores instituições de ensino superior do mundo, tendo subido mais de cem lugares no ranking hoje divulgado, que continua a ser liderado pelas instituições americanas de Harvard e Stanford.
Para Cruz Serra, o "excelente resultado" conseguido pela UL prende-se, essencialmente, com a agregação de todo o trabalho científico e desempenho do conjunto da universidade que, pela primeira vez, é avaliada tendo em conta a fusão das duas instituições que lhe deram origem: a Clássica e a Técnica.
No ano passado, a Universidade Clássica ocupava uma posição algures entre o 301.º e o 400.º lugar e a Técnica entre o 401-500. Este ano, a UL está muito próxima de chegar ao 200.º lugar.
Comparando com as instituições de ensino espanholas, apenas a Universidade de Barcelona está à frente da UL (cerca de dez lugares), e "todas as outras atrás", lembrou o reitor.
Apesar da subida, Cruz Serra alerta para os riscos de a instituição começar agora a descer no ranking, como resultado dos consecutivos cortes de financiamento que o ensino superior tem sofrido nos últimos anos.
"A descida do financiamento público para as universidades portuguesas ultrapassou tudo o que era imaginável. A capacidade instalada vai-se deteriorando, a nossa capacidade de ensino e de investigação também. Estes rankings contabilizam o trabalho científico que muitas vezes foi feito há alguns anos atrás", alertou Cruz Serra.
O reitor lembrou que o impacto do investimento em ciência "só se vê passados alguns anos" e a posição da UL "inevitavelmente irá piorar com a descida da dotação do orçamento de estado e diminuição dos recursos" que têm à disposição.
Menos orçamento, menos bolsas para estudantes de doutoramento, menos contratos para os investigadores em ciência têm sempre um impacto negativo a médio prazo, defendeu.
Além da UL, outras duas instituições portuguesas surgem na lista das 500 melhores: a Universidade do Porto e a de Coimbra (no grupo das 301-400 melhores e das 401-500 melhores, respetivamente).
Além do ranking geral, Xangai faz também uma outra avaliação por grandes áreas do conhecimento e, neste campo, a Universidade de Lisboa surge no grupo das 76-100 melhores na área da Engenharia/Tecnologia e Ciências da Computação, seguindo-se depois a Universidade de Aveiro e a do Porto (ambas no grupo 151-200).
As seculares instituições de ensino norte-americano, Harvard e Standford, continuam a ocupar os dois primeiros lugares do "Academic Ranking of World Universities", realizado pela Universidade Jiao Tong de Xangai.
O ranking de Xangai é feito tendo em conta inúmeros itens, tais como o desempenho académico per capita mas também as citações de artigos científicos realizados por investigadores das universidades; o número de alunos e professores que receberam o Prémio Nobel ou o Fields Medals também é tido em conta assim como os artigos publicados nas publicações Nature e Science.