Reitor de Coimbra diz que foi forçado a apresentar orçamento fictício para 2015

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O reitor da Universidade de Coimbra, João Gabriel Silva, disse hoje em Coimbra que a sua instituição foi forçada pelo Governo a apresentar um orçamento para 2015 que, "à partida, é fictício".

João Gabriel Silva, que discursava na abertura solene das aulas na Sala dos Capelos, referiu que a Universidade de Coimbra (UC) foi "forçada" a apresentar um orçamento fictício, "porque foi calculado com base em níveis salariais que o Tribunal Constitucional já recusou".

"Não fazemos ideia de qual vai ser o nosso orçamento em 2015", criticou o reitor da UC, sublinhando ainda que "só há poucos dias" a instituição conheceu o seu orçamento "para este ano".

O reitor da UC constatou também que "o erro técnico no cálculo do orçamento de 2014 foi corrigido parcialmente em 2014, mas o Governo não quer manter a correção para 2015".

O Governo "continua a poder impor funcionários que a universidade não quer" e a capacidade da UC para "renovar o corpo docente continua reduzida", criticou, acrescentando ainda que se observam "erros graves cometidos no processo de avaliação dos centros de investigação", que continuam por corrigir.

Apesar das críticas à situação no ensino superior, o discurso de João Gabriel Silva centrou-se nos desafios da Universidade de Coimbra e em registos positivos dos últimos anos.

O reitor destacou a liderança da instituição na capacidade de cativar estudantes internacionais, o aumento das publicações científicas, de citações, do número de doutoramentos e do financiamento competitivo da investigação, bem como a criação "da maior base de dados mundial de informação académica" e de novos edifícios para a investigação.

João Gabriel Silva sublinhou também a intenção de abrir concursos para professores, catedráticos e pessoal técnico, salientando ainda o "quase" desaparecimento "de congestionamentos dos estudantes no atendimento".

Por outro lado, Bruno Matias, presidente da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC), criticou "a enorme confusão dos serviços académicos", salas de aula "que não conseguem acolher todos os estudantes" e "materiais em falta".

"Tudo isto é derivado da falta de financiamento", sustentou, considerando que reitores, docentes e estudantes "devem juntar-se para encontrar uma solução", pedindo "coragem" para que se altere o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES).

Após a saída do antigo secretário de Estado do Ensino Superior, João Queiró, "a vontade do Ministério da Educação de rever" esta matéria, que fez com que as universidades "perdessem autonomia", "é nula", protestou Bruno Matias.

A sessão solene contou ainda com a intervenção do professor catedrático da Faculdade de Medicina da UC, Manuel Antunes, que proferiu a oração de sapiência.

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