Resina tóxica pode estar na origem da cegueira
Uma resina tóxica pode ter sido injectada nos seis doentes que foram operados no Hospital de Santa Maria e que ficaram cegos após essas intervenções. A utilização daquela substância foi levantada após uma chamada anónima feita para o hospital e que está a ser investigada pela Polícia Judiciária (PJ).
A troca de fármacos é uma das hipóteses que está a ser colocada e investigada, mas que só poderá ser confirmada após análises que terão de ser feitas no estrangeiro, mais propriamente na Agência do Medicamento do Reino Unido.
A eventual troca de substâncias já tinha sido levantada nas averiguações que estão a ser feitas pelo DIAP de Lisboa em conjunto com a PJ, Infarmed, Instituto Nacional de Medicina Legal e Inspecção-Geral da Saúde e poderá ser agora confirmada após as análises feitas em Inglaterra.
Ainda segundo o JN, a eventual troca de substância está a ser colocada e há mais quatro hipóteses de produtos que podem ter sido injectados nos doentes no lugar do Avastin, uma troca que, no entanto, poderá ter acontecido por erro, não intencional, e muito possivelmente na unidade de preparação dos medicamentos.
O facto de na unidade de preparação de medicamentos serem manuseados diversas substâncias, que são guardadas em frigoríficos e em embalagens muito semelhantes, pode ter estado na origem do erro.
Outra hipótese colocada é a da troca ter sido intencional, como refere o autor da chamada anónima, e aí ela pode ter acontecido em qualquer fase do circuito entre a preparação e a aplicação nos doentes.
Para já e o que parece certo, segundo os dados das primeiras investigações, o medicamento injectado nos doentes não foi o Avastin, mesmo considerando que o lote administrado aos doentes conter aquele medicamento.